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Coronavírus
NOTÍCIA

Funcionários do Hospital Municipal de Pacajus denunciam falta de EPIs; Sindsaúde cobra explicações

Sindsaúde enviou ofício à Secretaria de Saúde do Município de Pacajus questionando sobre as condições de trabalho dos funcionários do Hospital José Maria Philomeno Gomes

Ismia Kariny
14:37 | 24/07/2020
Funcionários e profissionais de saúde que atuam no Hospital Municipal de Pacajus fizeram denúncia sobre a situação do equipamento durante a pandemia (Foto: Divulgação/Sindisaude)
Funcionários e profissionais de saúde que atuam no Hospital Municipal de Pacajus fizeram denúncia sobre a situação do equipamento durante a pandemia (Foto: Divulgação/Sindisaude)

Funcionários e profissionais de saúde que atuam no Hospital Municipal de Pacajus estariam trabalhando doentes e sem equipamentos de proteção individual (EPI), de acordo com denúncia do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Ceará (Sindsaúde). Após a morte de dois trabalhadores da unidade, os dirigentes do Sindsaúde foram até o hospital para avaliar as condições de trabalho dos servidores, e constataram situações precárias de acesso a equipamentos e medidas de proteção.

“A gente foi até a Prefeitura para entregar uma notificação. Chamou a atenção de todo mundo que foi a única unidade hospitalar a ter dois óbitos, e fomos verificar as razões”, esclareceu Marta Brandão, presidente do Sindsaúde. De acordo com o sindicato, foram mortos por complicações da Covid-19, a técnica de enfermagem Gleice Machado, de 50 anos, e o motorista Adailton Ferreira, de 37. Ambos atuavam na unidade em Pacajus, e estavam internados no Hospital Leonardo da Vinci, em Fortaleza.

Em visita ao Hospital José Maria Philomeno Gomes - como é chamada a unidade em Pacajus -, na última sexta-feira, 17, os dirigentes do Sindsaúde constataram que os equipamentos de proteção individual só passaram a ser utilizados, por alguns dos profissionais, somente após a infecção de muitos dos servidores e a morte da técnica, na quinta-feira, 16. “Após percorrer vários setores da unidade de saúde e conversar com trabalhadores e usuários, foi possível saber que as medidas para proteger a saúde dos profissionais têm sido insuficientes diante do quadro de enfrentamento ao coronavírus”, destaca o Sindicato em nota.

Em vídeo compartilhado com O POVO, o Sindsaúde destaca depoimentos de funcionários cooperados que estariam trabalhando mesmo após o diagnóstico da Covid-19. “Esses cooperados têm uma relação de trabalho muito precarizada, recebem por hora de trabalho, e, se forem infectados, o tempo de afastamento é de cinco dias”, detalha Marta Brandão. Outra denúncia é que apenas as equipes que trabalham em ala para a Covid-19 têm garantia de equipamentos de proteção suficientes para a segurança contra o coronavírus.

Segundo a presidente do Sindicato, também foi constatado que os motoristas de ambulâncias trabalham apenas com máscaras para transportar os pacientes. Além disso, as ambulâncias seriam higienizadas por esses mesmos profissionais, aumentando o risco de contaminação entre eles. “A desinfecção deve ser feita por outras pessoas, de maneira que eles possam trocar a parametrização”, frisa Marta.

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Também houve queixas de que pacientes sem suspeitas de infecção com o coronavírus, internados por outras condições de saúde, que teriam sido expostos ao risco de contaminação, ao compartilharem o mesmo espaço com aqueles em suspeita, que podem ou não estar carregando o coronavírus. “Da entrada até a limpeza, se fizer o teste, está todo mundo infectado. Os EPIs são apenas para o lado do Covid. Se for lá, estão todos bem equipados”, relatou em anonimato um dos funcionários, em vídeo.

Ele também detalha que os pacientes em suspeita só são enviados para a ala exclusiva da Covid-19, após receberem o diagnóstico positivo. Outro problema seria a testagem insuficiente dos profissionais, além do descumprimento de medidas recomendadas para afastamento de trabalhadores com sintomas indicativos da doença.

De acordo com Marta Brandão, as denúncias do Sindicato foram oficializadas em ofício enviado ao Ministério Público. Além disso, a Secretaria de Saúde do Município de Pacajus foi notificada e questionada sobre as condições de trabalho dos servidores da unidade hospitalar José Maria Philomeno Gomes.

“O Sindicato tem atuado de forma incisiva para assegurar maior proteção. A gente espera que, após a nossa denúncia, sejam tomadas providências, porque [se medidas não forem tomadas] o resultado é mais mais pessoas infectadas e mais óbitos”, salienta Marta Brandão.

Posicionamento da prefeitura de Pacajus

Procurada pelo O POVO, a prefeitura de Pacajus destacou que entrou em contato com a direção do Hospital José Maria Philomeno Gomes, que já está ciente das denúncias apresentadas pelo Sindsaúde Ceará. Além disso, ressaltou que segue o mesmo posicionamento da direção do hospital, em nota de esclarecimento enviada ao O POVO.

Confira a íntegra de nota da direção do Hospital Municipal de Pacajus

A direção do Hospital José Maria Philomeno Gomes, tomou conhecimento das denúncias apresentadas pelo Sindsaúde Ceará. Hoje, o Hospital Municipal de Pacajus é gerido pelo Instituto de Gestão em Saúde do Nordeste (INGESNE).

O conteúdo apresentado é muito grave e, com certeza, não representa a realidade vivenciada no Hospital Municipal de Pacajus. A empresa gestora do Hospital vem garantindo Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) a todos os servidores que estão trabalhando no Hospital, tanto na ala covid-19, quanto na urgência e emergência.

Desde o início da pandemia, o Hospital preparou uma área externa, provisória, exclusiva para o atendimento da Covid-19. Devido ao período pandêmico, o município acelerou as obras de reforma do Hospital, e, há dois meses existe uma nova ala específica ao tratamento de pacientes com o Novo Coronavírus, com estrutura de 06 respiradores e um ambiente totalmente moderno.

A nova ala de tratamento da Covid-19, conta com uma estrutura mais moderna e melhor para atender os pacientes. Os novos 33 leitos são exclusivamente para os pacientes que, por orientação médica e o protocolo técnico previsto pela Organização Mundial da Saúde, tem necessidade de internação devido à gravidade da doença.

Sobre os recém-falecimentos dos servidores que prestaram serviço no Hospital:

É lamentável o sindicato utilizar os dois casos, que infelizmente chegaram a óbito, para manchar o trabalho que vem sendo realizado. O jovem Adailton, exposto na denúncia, não prestava serviço ao Hospital desde o início do mês de maio de 2020, (o mesmo pediu desligamento). Os dois servidores foram grandes heróis, não resistiram à doença, e suas histórias não podem ser utilizadas para fins oportunistas.

Os funcionários que testam positivo para Covid-19 são automaticamente afastados das funções e seguem o protocolo de isolamento. É válido destacar que nenhum servidor deixou de receber salário devido ao afastamento. Os profissionais cooperados, legalmente, recebem por dias trabalhados. Ou seja, por plantões prestados no Hospital. A direção informa, também, que o Sindicato não procurou a direção do hospital para apresentar o conteúdo exposto, ou sequer conversar sobre o assunto.

Por fim, a direção do Hospital compreende o trabalho do Sindicato, mas o que foi exposto não tem base legítima e não representa o trabalho sério que o município vem realizando para garantir uma saúde de qualidade para todos os Pacajuenses.