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Coronavírus
NOTÍCIA

9 profissionais de saúde no Ceará têm recorrência de sintomas da Covid-19 mesmo após recuperação

Nota técnica orienta para a reverão positiva dos testes e possíveis manifestações clínicas recorrentes da doença. Mais de 12 mil profissionais de serviços de saúde do Ceará já foram contaminados com o Sars-CoV-2.

13:29 | 08/07/2020
A recomendação ofertada pelo estudo insiste da vigilância dos casos de Covid-19 pós-alta e pós-recuperação dos sinais e sintomas, com testes sendo refeitos em profissionais de saúde que apresentarem recorrência de sintomas da doença. (Foto: FABIO LIMA)
A recomendação ofertada pelo estudo insiste da vigilância dos casos de Covid-19 pós-alta e pós-recuperação dos sinais e sintomas, com testes sendo refeitos em profissionais de saúde que apresentarem recorrência de sintomas da doença. (Foto: FABIO LIMA)

A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) disponibilizou uma nota técnica que orienta profissionais de saúde sobre a possível recorrência de sintomas da Covid-19 em pacientes que já estiveram doentes. O alerta traz os resultados de um estudo complementado por outras pesquisas e observou seis colaboradores da saúde do Estado que entraram em contato com o novo coronavírus. 

O estudo traz dois pontos principais: a reversão positiva de testes virológicos e as manifestações clínicas recorrentes da doença. O primeiro tópico aborda a probabilidade do paciente se contaminar, receber alta e, após refazer o teste, voltar a indicar o resultado para o Sars-CoV-2 no corpo como positivo. Ainda não é possível, no entanto, comprovar se a pessoa foi novamente infectada pelo novo coronavírus.

Já a segunda situação não envolve testagem e traz pessoas que sentiram os sintomas, apresentaram melhora em seu estado de saúde, mas voltaram a apresentá-los. Dentre os três mais relatados pelos seis pacientes no segundo episódio de infecção, está a febre, seguido pela adinamia - fraqueza muscular - e a anosmia - perda do olfato. 

Entre os dias 11 e 19 de junho, o Ceará registrou nove casos de recorrência de Covid-19 em profissionais da saúde. Destes, seis apresentaram sintomas entre 53 e 70 dias após a primeira ocorrência da doença. Nenhum dos pacientes apresentou complicações e todos realizaram o tratamento de acordo com os sintomas.

O infectologista do Hospital São José e um dos estudiosos da pesquisa, Keny Colares, explica que os dois cenários podem ter relações entre si, mas mais pesquisas precisam ser realizadas sobre o assunto. Por ser um novo vírus, as análises podem mudar em pouco tempo enquanto outras novas descobertas acontecem. A exemplo das ocorrências, que foram relatadas em um pequeno grupo de pessoas. "Os casos que aconteceram foram em profissionais de saúde, mas não são exclusivos deles. O que acontece é que eles têm mais facilidade em pensar que estão novamente com a doença", diz. 

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Apesar do recorte, o ensaio é importante, pois funciona como uma alerta tanto para os colaboradores quanto para a população. "Devemos ficar atentos a possibilidade e informar o seguinte: as pessoas que já tiveram a doença não devem se descuidar das medidas de proteção", destaca Colares.

A recomendação ofertada pelo estudo insiste na vigilância dos casos de Covid-19 pós-alta e pós-recuperação dos sinais e sintomas, com testes sendo refeitos em profissionais de saúde que apresentarem recorrência de sintomas da doença. A nota técnica esclarece, ainda, que os casos suspeitos de recorrência de Covid-19 em profissionais dos serviços de saúde devem ser informados ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde. Os telefones para ocorrência são (85) 3101 4860 e (85) 98724 0455.

A última atualização do IntegraSUS de hoje, 8, contabiliza 12.531 casos confirmados de Covid-19 em profissionais dos serviços de saúde e 28 óbitos acumulados desde o início da pandemia. Dos casos, 11.896 são recuperados e quase metade deles se concentra na Capital. Outros 6.885 casos seguem em investigação.

Hoje o Ceará chegou à marca de mais de 100 mil pacientes recuperados da doença. Desde o início da pandemia, foram 127.952 casos confirmados e 6.563 mortes de acordo com a última atualização da plataforma da Sesa.