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Coronavírus
NOTÍCIA

Anticorpos da Covid-19 caem rápido e não há evidências para descartar nova infecção, alertam infectologistas

Mesmo as pessoas que tiveram coronavírus diagnosticado no passado devem continuar com os métodos de proteção

Ismia Kariny
09:10 | 08/07/2020
O teste-rápido pode ser falho para detectar infecção em quem está com sintomas da doença, afinal, os anticorpos só aparecem após o 7° dia de infecção  (Foto: Jefferson Peixoto/Secom)
O teste-rápido pode ser falho para detectar infecção em quem está com sintomas da doença, afinal, os anticorpos só aparecem após o 7° dia de infecção (Foto: Jefferson Peixoto/Secom)

Produção de anticorpos não deve ser motivo para descumprir o isolamento social e medidas sanitárias. De acordo com o infectologista Ivo Castelo Branco, estudos recentes apontam que a Covid-19 não estimula anticorpos como outras doenças. Enquanto o IgG (anticorpo que indica a imunidade) pode ser permanente para doenças como catapora ou sarampo, no caso do coronavírus esses anticorpos caem muito rápido. Por isso, independentemente de ter tido ou não a infecção, as pessoas devem se atentar para as orientações de saúde de forma a evitar a contaminação.

Segundo Ivo Castelo Branco, os testes rápidos, como os de farmácia, podem ser falhos em detectar a infecção. Ele relata que já acompanhou casos de pessoas que tiveram a Covid-19 confirmada clinicamente, através de RT-PCR, mas que ao realizar o teste rápido recebeu falso negativo para o novo coronavírus. “Os testes não são bons e parece que a doença estimula produção de anticorpos em menor quantidade que as outras doenças”, acrescenta.

Para o infectologista, permanece a incerteza se, em alguns casos, a pessoa de fato não apresenta o anticorpo IgG ou se o teste foi incapaz de detectá-lo. “Pelos estudos que estão sendo colocados, algumas pessoas parecem produzir menos anticorpos que as pessoas que tiveram mais sintomas da doença. Em alguns casos, com apenas três meses de quadro agudo a pessoa já não tem mais IgG”, detalha Ivo, que é também professor titular e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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De acordo com a infectologista Melissa Soares, que atua no Hospital São José, a imunidade só é possível com quantidade elevada de anticorpos, que é aumentada a partir da exposição regular à uma vacina, que seja capaz de despertar a memória imunológica de uma pessoa. Entretanto, ainda não há identificação de anticorpos neutralizantes que possam ser usados contra o coronavírus, ela enfatiza.

Os testes para detecção de anticorpos neutralizantes ainda estão em desenvolvimento. Tinha um em Singapura, que estava prestes a sair. Esses, sim, dizem se você realmente produz anticorpos que são fortes o suficiente para combater o vírus”, destaca Melissa, que também trabalha no Hospital São Camilo. Conforme a infectologista, não basta ter o teste de sorologia positivo para estar “livre” da Covid-19. Apenas a vacina pode garantir a imunidade, desde que tomada de forma regular.

A infectologista Melissa Soares ressalta que o diagnóstico da doença em atividade é feita por meio do RT-PCR. A sorologia apresenta um diagnóstico passado, e só começa a indicar positividade após uma semana desde a infecção. “A gente espera até 28 dias depois para ter certeza que você soroconverteu ou não, para saber se realmente teve a infecção, porque a gente só produz anticorpo a partir do 7º dia”, explica. Melissa acrescenta que os testes de farmácia não conseguem diferenciar bem os subtipos IgM e IgG, por isso, “só quer dizer que você teve a infecção no passado”, salienta.

Cuidados sanitários devem continuar, independentemente da produção de anticorpos

Assim como o infectologista Ivo Castelo Branco, Melissa esclarece que os anticorpos produzidos pela Covid-19 e outras doenças como a gripe, costumam cair ao longo do tempo. “A gente não sabe se pode ter uma segunda infecção ou quanto tempo esses anticorpos te protegem. Essa vacina para influenza que a gente toma no começo do ano, no final do ano ela já não tem eficácia, porque os anticorpos já caíram”, exemplifica.

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Segundo Ivo Castelo Branco, mesmo as pessoas que tiveram coronavírus diagnosticado no passado devem continuar com os métodos de proteção. Entre eles, o uso da máscara, distanciamento das pessoas, higienização das mãos e o isolamento social. “Eu aconselho a continuar com as mesmas medidas como se não tivesse pego [coronavírus] ainda. Teoricamente é fácil, porque é um vírus que a gente mata com água e sabão; mas, na prática, todo mundo desleixa”, comenta.