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Coronavírus
Noticia

Entidades que atuam com pessoas com deficiência têm dificuldades de manter portas abertas

Queda na arrecadação de recursos prejudicam oferta de serviços e instituições lutam para seguir dando assistência

Carlos Viana
11:45 | 24/06/2020
FORTALEZA,CE,BRASIL, 10-05-2017: Projeto da UFC para facilitar a autonomia de deficientes visuais sendo testados com alunos do Instituto dos Cegos. Av. Bezerra de Meneses, 892, Bairro: São Gerardo. (Mariana Parente/ Especial para O POVO) (Foto: MARIANA PARENTE )
FORTALEZA,CE,BRASIL, 10-05-2017: Projeto da UFC para facilitar a autonomia de deficientes visuais sendo testados com alunos do Instituto dos Cegos. Av. Bezerra de Meneses, 892, Bairro: São Gerardo. (Mariana Parente/ Especial para O POVO) (Foto: MARIANA PARENTE )

A pandemia pelo novo coronavírus tem mudado a rotina de entidades que atendem pessoas com deficiência. Algumas, que já tinham dificuldades para se manter, pedem ajuda para não fechar as portas. É o caso do Instituto de Cegos. A instituição, que funciona há mais de 70 anos, é mantida com o dinheiro das consultas e cirurgias de pequeno e médio portes, feitas na clínica e hospital que funcionam no local.

Com as medidas sanitárias adotadas para conter o avanço da doença, a clínica e hospital tiveram suas atividades interrompidas, o que afetou a saúde financeira da entidade. “Infelizmente tivemos que reduzir nosso quadro de funcionários, além da suspensão de outros contratos de trabalho. E isso prejudica bastante nossos alunos, sobretudo aqueles que estão iniciando o atendimento,” explica Cláudia Holanda, assistente social da Sociedade de Assistência aos Cegos.

No local são atendidos cerca de 300 pessoas com deficiência visual, desde alunos do ensino regular, que vai do infantil ao fundamental, até a reabilitação, destinada a pessoas que perderam a visão ao longo da vida.
Há cerca de um mês, o instituto iniciou uma campanha para arrecadar recursos. Desde então, empresas e artistas começaram a fazer doações, principalmente de alimentos, que foram repassados às famílias dos estudantes. “Somos uma instituição muito respeitada pela seriedade do nosso trabalho. Por isso temos conseguido algumas doações, mas o que recebemos está aquém do necessário para continuarmos de portas abertas,” explica Cláudia.

Para continuar atendendo os alunos, as aulas regulares do Instituto de Cegos estão sendo ministradas via internet. “Com a necessidade do isolamento social, nossos professores tiveram que se reinventar, adquirir novas habilidades, fazendo com que o conteúdo chegue da melhor forma possível aos estudantes,” disse Cláudia.

No entanto, o atendimento àqueles que perderam a visão e precisam passar por um processo de reabilitação foi interrompido, devido a necessidade de uma proximidade maior entre aluno e profissional durante o aprendizado.

Com a retomada gradual das atividades, a clínica e hospital ligados ao Instituto dos Cegos voltaram a funcionar, mas o número de atendimento está sendo menor que o habitual, para evitar aglomerações.

A Casa da Esperança, referência nacional no atendimento de pessoas com o transtorno do espectro autismo (TEA), também teve sua rotina modificada com o avanço da pandemia. No local são oferecidos serviços como atendimento psicológico, terapia ocupacional e fonoaudiólogo a cerca de 450 pacientes de todas as fachas etárias.

Para continuar com o atendimento, a instituição criou um plantão virtual. “Muitas famílias já desenvolveram uma forma de ajudar no tratamento, e isso vem sendo reforçado, com a implementação de novos recursos,” explica André Luiz Santiago, psicólogo e assessor técnico da Casa da Esperança. Em alguns casos mais específicos, o atendimento presencial pode ser realizado.

Segundo ele, muitas pessoas com transtorno do espectro autista estão tendo dificuldade para entender o atual momento e seguir as orientações sanitárias. “Uma pessoa neuronormativa (que não tem TEA,), não precisa bater a mão na parede para saber que vai arder. Já alguns autistas precisam dessa experiência concreta para que possam compreender,” exemplifica.

Além das mudanças de rotina, a crise causada pela pandemia da Covid-19 agravou as dificuldades financeiras vividas pela Casa da Esperança. Conforme André, em 2019, a instituição não recebeu verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), prejudicando o atendimento de diversos pacientes. “O ano passado foi bem difícil, com muitos profissionais trabalhando de forma voluntária. Ainda estamos nos reerguendo e toda ajuda é bem-vinda,” finaliza o especialista.

Podem ser doados alimentos à casa, que serão repassados às famílias mais carentes, além de material de limpeza, material de escritório e equipamentos de proteção individual.

Um estudo inédito, coordenado pelas consultorias Mobiliza e Reos Partners, mostra que duas em cada dez instituições da sociedade civil estão sem fundos para dar continuidade as suas atividades e projetos junto às comunidades que são atendidas por elas. Para obter os dados, foram ouvidos gestores de 1.760 organizações sociais. Das entidades pesquisadas, 73% revelou que houve uma queda significativa na captação de recursos.

Mesmo com um cenário adverso, o estudo mostra que 87% das organizações pretendem continuar com suas ações até o final de 2020. Ainda de acordo com a pesquisa, 49% dessas ações consistem na distribuição de alimentos e material de higiene para os assistidos.

Serviço:

Para ajudar o Instituto de Cegos, interessados podem efetuar depósito na seguinte conta bancária:
Banco do Brasil

Sociedade de Assistência aos Cegos

Agência: 1702-7 Conta: 119980-3

Além disso, a banda de forró Limão com Mel fará uma live solidária nesta quarta-feira, 24, a partir das 20 horas, em canal do Youtube do grupo e parte dos recursos serão destinados à instituição.

 

Já os que tem interesse de ajudar a Casa da Esperança, o contato pode ser feito pelo telefone (85) 99421-7918