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Coronavírus
NOTÍCIA

Com retomada das aulas presenciais, máscaras farão parte do fardamento

O retorno das atividades presenciais nas escolas da Capital é esperado para o próximo dia 20 de julho. Novas medidas priorizam ensino presencial e remoto, escalonação dos horários escolares e distanciamento social

13:05 | 24/06/2020
Tida como um espaço de dinamismo e de interação, a escola terá o desafio de se manter sob medidas sanitárias de distanciamento e compreensão dos níveis dos estudantes. (Foto: Sandro Valentim)
Tida como um espaço de dinamismo e de interação, a escola terá o desafio de se manter sob medidas sanitárias de distanciamento e compreensão dos níveis dos estudantes. (Foto: Sandro Valentim)

A estabilização da taxa de contágio em Fortaleza e o avanço nas fases do Plano de Retomada Econômica trazem a realidade da voltas às aulas presenciais em escolas particulares da Capital. A partir do dia 20 de julho, data prevista para o retorno, as instituições deverão obrigatoriamente reabrir atendendo às medidas de prevenção contra o novo coronavírus. 

O Sindicato das Escolas de Educação e Ensino da Livre Iniciativa do Estado (Sinepe) elaborou um protocolo de orientação para as instituições no retorno em julho. Dentre as medidas, está a exigência do uso de máscara como fardamento escolar, adesão ao ensino híbrido (método alternado entre ter aulas presenciais ou aulas remotas), demarcações de distanciamento social e implementação de espaços de higienização em pontos estratégicos da escola.

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A presidente do Sinepe, Andréa Nogueira, explica que não serão todas as escolas particulares da Capital que irão retomar suas atividades presenciais em julho. "A partir do momento em que existe um decreto que determina a data de retorno, temos que trabalhar para reorganizar os espaços. Cada escola deve ter seu plano de retomada e todas retornarão de forma gradual", disse.

A posição é complementada pelo epidemiologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luciano Pamplona, que ressalta um dos principais desafios da retomada: a possível dificuldade de compreensão das medidas sanitárias por parte de alguns alunos. A exemplo da educação infantil e do ensino fundamental, por serem crianças, é normal que tenham dificuldades de compreensão dos novos parâmetros.


Andréa explica que a escola é um espaço de dinamismo e de interação, que agora terá o desafio de se manter sob medidas sanitárias de distanciamento e compreensão dos níveis dos estudantes. A exemplo das novas orientações, alunos da educação infantil até três anos não terão obrigação de usar a máscara e os professores devem estar devidamente preparados para explicar a importância do equipamento.

“A professora da educação infantil contará histórias através de fantoches sobre a importância de lavar as mãos, enquanto professoras dos ensinos fundamental e médio deverão trabalhar para serem ouvidas pelo aluno de outras maneiras”, corrobora. A escola, inclusive, obrigatoriamente deverá fornecer os equipamentos de proteção para alunos ou profissionais que não os tenham.

Tida como uma única rede, escolas privadas são diferentes

A adesão ao ensino híbrido dependerá dos responsáveis, que devem verificar qual a melhor medida para o ensino dos filhos diante da pandemia. Muitos pais utilizam a escola como uma rede de suporte presencial e, com as atividades presenciais da instituição paralisadas devido à pandemia, muitos perderam tal apoio. Com a escolha, a escola deve se adequar em fornecer o serviço de acordo com a estrutura.

A situação em cada escola pode ser diferente. Enquanto algumas já se valiam de plataformas online para apoiar a aprendizagem, outras ainda estão passando por períodos de adaptações. É o que explica o professor do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Idevaldo Bodião.

Segundo ele, há uma tendência de tratar a rede privada como uma só, o que ele considera errôneo. "O padrão de escolas privadas da periferia às vezes vai mostrar escolas com estruturas, equipamentos e profissionais menos preparados", explica. 

Há também um conjunto de ações que se somam à situação escolar, como as condições psicológicas dos alunos e dos professores. Bodião aponta para um negacionismo da normalidade e afirma que o retorno das aulas pode ser muito confuso do ponto de vista didático e estrutural. O professor cita como exemplo os ensinos de base, como o infantil e o médio. "Muitos dessas aulas não são conteúdos, mas sim dinâmicas de atividades que favorecem o desenvolvimento da criança. Como podemos organizar de tal maneira que a repercussão desses três meses paralisados possam ser minimizadas?", questiona.

Sobre a situação, a presidente do Sindicato que representa as escolas privadas afirma que diversas escolas aderiram às férias adiantadas para reorganização das estruturas e estão devidamente tendo os cuidados para o retorno presencial. "É interesse nosso o bem-estar dos alunos para que essa prestação de serviços aconteça de forma sadia", rebate.

Confira alguns cuidados que escolas deverão ter com a retomada

- Reorganização do ambiente escolar; com escalonação de horários 

- Medidas de distanciamento entre alunos e professores e checagem da temperatura dos alunos

- Incentivo da higienização, com lavatórios em pontos estratégicos da escola e o uso de sabonetes líquidos apropriados

- Obrigatoriedade da máscara a partir dos três anos de idade;

- Com o ensino híbrido, adequar-se às condições socioeconômicas dos estudantes e ajudá-los no processo

- Limpeza constante de superfícies e proibição da circulação de pais em ambientes internos das unidades

- Construção de uma rede de apoio para a saúde mental dos alunos e dos profissionais