Conselho Nacional de Secretários da Saúde apresenta nova plataforma de Covid-19 no Brasil

O secretário da pasta no Ceará, Dr. Cabeto, criticou a posição do Ministério da Saúde de restringir os números e falou sobre a democratização dos dados para a população

14:50 | Jun. 08, 2020

Por: Redação O POVO
O portal já pode ser acessado (foto: Reprodução/Conass)

Desde sexta-feira, 5, os relatórios com dados relacionados à Covid-19 vêm passando por alterações no Ministério da Saúde e sendo divulgados de forma mais reduzida. O site covid.saude.gov.br chegou a sair do ar no sábado e a nova versão apresenta apenas os dados de confirmação de casos e óbitos do dia, sem os indicativos acumulativos. A falta de transparência levou o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) a lançar uma plataforma que reúne os dados sobre a doença.

João Gabbardo, ex-secretário Executivo do Ministério da Saúde, anunciou por meio do Twitter, o espaço. O Painel Conass Covid-19 já está disponível e conta com atualizações baseado nos banco de informações enviadas pelas próprias secretarias. O balanço vai acontecer diariamente as 18h30min.

A plataforma está em constante evolução e estão sendo desenvolvidos novas visualizações dos números. São apresentados dados acumulativos de casos confirmados, óbitos, no total, assim como separado por estado. Além disso, é possível conferir acréscimo nesses índices nas últimas 24 horas. A taxa de letalidade de cada estado também é divulgada. Em breve, eles prometem divulgar também os valores dos casos recuperados.

"O Conass pauta sua atuação pelo mais alto interesse público, respeito à diversidade e pluralismo democrático. A defesa da saúde e da vida é nosso compromisso inabalável com os brasileiros. A ciência, a verdade e a informação precisa e oportuna são fios condutores do processo orientador da tomada de decisão na gestão da saúde", escreveu o presidente do conselho, Alberto Beltrame, que também é secretário da saúde do Pará.

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Em entrevista coletiva, o secretário da pasta no Ceará, Dr. Cabeto, criticou a posição do Ministério da Saúde de restringir os números. Segundo ele, é preciso aumentar e uniformizar as informações em todos os estados, uma vez que a população possa ter acesso a esses dados e possa reconhecer a situação da pandemia no País. "Nós (secretária da saúde) temos procurado aperfeiçoar cada vez mais a informação. O caminho inverso significa retrocesso", afirmou. 

Com a mudança, o Brasil deixou de ter seus dados computados no painel da universidade norte-americana Johns Hopkins, uma das principais referências para monitoramento dos casos da doença no mundo. No repositório do site, o Brasil aparece como a única nação sem o número de casos informado.

Segundo funcionários do Ministério da Saúde, escutados pelo jornal Valor Econômico, relatam que o coronel Elcio Franco Filho, secretário-executivo da pasta, tem insistido pela simplificação dos dados. Segundo eles, o secretário quer que passem a ser divulgadas apenas as mortes ocorridas e confirmadas no mesmo dia, sem o dado acumulado. As mudanças deixam os gestores da área sem capacidade de interpretar os dados ao longo do tempo e sem referência da curva da epidemia no País, como informaram os técnicos.

“A epidemiologia básica é justamente olhar todos esses dados em conjunto. As apresentações preparadas para o público continham todos esses dados”, afirmou um funcionário da pasta. Foi comentado pelos servidores que houve até um pedido à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para maquiar os índices, responsável por produzir relatórios internos. Sem os dados, o presidente Bolsonaro e outros servidores vão tomar decisões sem dados científicos. 

Em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu que o Ministério da Saúde “adequou a divulgação dos dados sobre casos e mortes relacionados ao Covid-19”. Bolsonaro comentou que  as medidas permitirão ter dados mais precisos sobre cada região. “Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país”, disse.