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Coronavírus
NOTÍCIA

Máscaras de tecido protegem contra o coronavírus, mas reduzem a eficácia após a quarta lavagem

Uso de máscaras deve virar um hábito dos cearenses por tempo indeterminado, em conjunto com outras medidas de prevenção à Covid-19

Catalina Leite
12:46 | 03/06/2020
Pessoas usando máscara de pano (Foto: Fabio Lima)
Pessoas usando máscara de pano (Foto: Fabio Lima)

Obrigação no Ceará desde maio, o uso de máscaras de proteção artesanais deve virar um hábito no Estado. Por isso, pesquisadores cearenses se mobilizaram para avaliar a eficácia de diversos tecidos em impedir a entrada do Sars-Cov-2, o novo coronavírus, que tem cerca de 50 a 200 nanômetros de diâmetro. Para comparação, o maior coronavírus é três mil vezes menor que um pequeno grão de areia.

A partir dos resultados da pesquisa, os enfermeiros concluíram que máscaras de tecido têm eficácia variada entre 40% a 97%. Aquelas fabricadas com mais de uma camada de tecido grosso são as melhores, como: lã feltrada grossa, tecido pesado, algodão, meia dobrada, jeans, malha de jersey de algodão, 100% nylon e lycra.

No entanto, o estudo também reforça que a barreira protetora das máscaras de tecido diminui após a quarta lavagem, sendo necessária a troca. “Esses tecidos têm poros que são formados por microfibras. Conforme vai acontecendo o processo de lavagem, essas microfibras vão reduzindo e o tamanho e a forma [dos poros] vai alterando”, explica Milleyde Lima, pesquisadora líder do artigo.

Imagine: se o coronavírus é três mil vezes menor que um grão de areia, usar uma máscara com tecido que “cedeu” perde o sentido. Nessa lógica, a especialista lembra também que as máscaras artesanais devem ser produzidas com tecidos novos - usar roupas já disponíveis em casa não vale, pois já foram lavadas.

 

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“De forma geral, as máscaras fabricadas artesanalmente e vendidas pela população estão seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e já estão sendo feitas com duas camadas de tecido. Mas é válido ressaltar que a população fique atenta à fabricação delas, pois ainda é vendido máscaras de tecido fino e somente de uma camada”, alerta Milleyde.

Os enfermeiros também reforçam a importância de aliar o uso da máscara artesanal com outras medidas de prevenção. Lavar as mãos com água e sabão por no mínimo 20 segundos, usar álcool em gel 70% na ausência de água e sabão, manter distância mínima de dois metros entre as pessoas e praticar o isolamento social, saindo de casa apenas para serviços essenciais.

O estudo “Máscaras de tecido para prevenção da Covid-19 e outras infecções respiratórias” será publicado na Revista Latino-Americana de Enfermagem. A pesquisa teve autoria dos enfermeiros Milleyde Lima (UFC), Francisco Cavalcante (UVA), Thamires Macêdo (UVA), Nelson Galindo Neto (IFPE), Joselany Caetano (UFC) e Lívia Moreira (UNILAB).