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Coronavírus
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OMS suspende ensaios clínicos de hidroxicloroquina por segurança

Suspensão vem após a revista médica The Lancet lançar estudo que considerou o uso do medicamento para tratamento de coronavírus como ineficaz ou até mesmo prejudicial

20:26 | 25/05/2020
Defendidas como "salvação" por Trump e Bolsonaro, cloroquina e hidroxicloroquina se mostraram ineficazes e prejudiciais segundo o estudo mais amplo sobre o uso dos medicamentos no tratamento do coronavírus (Foto: Yuri Cortez / AFP)
Defendidas como "salvação" por Trump e Bolsonaro, cloroquina e hidroxicloroquina se mostraram ineficazes e prejudiciais segundo o estudo mais amplo sobre o uso dos medicamentos no tratamento do coronavírus (Foto: Yuri Cortez / AFP)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta segunda-feira, 25, que suspendeu "temporariamente" os ensaios clínicos com hidroxicloroquina que realiza com parceiros em vários países, como precaução.

Esta decisão segue a publicação de um estudo na sexta-feira na revista médica The Lancet que considerou ineficaz ou até prejudicial o uso de cloroquina e seus derivados como a hidroxicloroquina contra a Covid-19, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, detalhando que a suspensão dos ensaios foi feita no sábado.

A OMS iniciou há mais de dois meses ensaios clínicos sobre os efeitos da hidroxicloroquina, chamados "Solidariedade", a fim de encontrar um tratamento eficaz contra a Covid-19.

Atualmente, "mais de 400 hospitais em 35 países recrutam ativamente pacientes e cerca de 3.500 pacientes foram recrutados em 17 países", explicou a autoridade máxima da OMS.

Entretanto, de acordo com o grande estudo publicado no The Lancet, realizado com quase 15.000 pacientes, nem a cloroquina nem seu derivado da hidroxicloroquina são eficazes contra a Covid-19 em pacientes hospitalizados e essas moléculas aumentam o risco de morte e arritmia cardíaca.

Os testes serão suspensos até que os "dados" coletados pelos testes Solidaridade sejam "analisados", disse Tedros. "Esta é uma medida temporária", informou Soumya Swaminathan, chefe do departamento de ciências da OMS, antes de enfatizar a "incerteza" em torno do uso da hidroxicloroquina.

A hidroxicloroquina é um derivado da cloroquina e tem sido usada há décadas contra a malária e também é prescrita em doenças de origem autoimune, como lúpus e artrite reumatóide.

Após um pequeno estudo chinês pouco detalhado que alegou a eficácia do fosfato de cloroquina no tratamento de pacientes com SARS-CoV2, a cloroquina ganhou destaque. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confessou consumir a medicação para prevenir a Covid-19 e o Ministério da Saúde recomendou seu uso em pacientes contagiados com sintomas leves.

No Brasil, a droga, defendida pelo presidente Bolsonaro como "salvadora", teria sido pivô da saída de dois ex-ministros da Saúde, que não concordavam com a ampliação do uso do medicamento. Na quarta-feira passada, porém, o Governo Federal anunciou a ampliação do protocolo da cloroquina, incluindo a possibilidade de uso por pacientes em quadros leves

Na segunda-feira, o chefe da OMS lembrou que esses medicamentos - hidroxicloroquina e cloroquina - "são geralmente reconhecidos como seguros para pacientes afetados por doenças autoimunes ou malária".

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