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Coronavírus
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"Sistema de saúde está prestes a colapsar", alerta especialista sobre coronavírus no Interior do Ceará

Para conter o avanço do vírus é preciso fortalecer o lockdown e criar medidas públicas de suporte às populações mais pobre, de acordo com o pesquisador Odorico Monteiro

Lucas de Paula
16:54 | 11/05/2020
Ex-deputado federal, Odorico Monteiro é médico, professor e pesquisador (Foto: JÚLIO CAESAR)
Ex-deputado federal, Odorico Monteiro é médico, professor e pesquisador (Foto: JÚLIO CAESAR)

O avanço do novo coronavírus para municípios do interior do Ceará preocupa especialistas, que assistem a situação em um momento em que o sistema de saúde público está perto do colapso. Em entrevista ao programa AGIR - Todos Contra Coronavírus, da Rádio O POVO CBN, Odorico Monteiro, professor de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador da Fiocruz, falou sobre os desafios da gestão de saúde no cenário de pandemia.

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Odorico afirmou que é preciso olhar com atenção o processo de interiorização da pandemia para os pequenos e médios municípios do Brasil. “A expansão da pandemia no Interior segue o roteiro das grandes estradas. No Ceará é o percurso da BR-020, que pega Fortaleza e vai até Brasília; é a BR-116... é a BR-322, que vai até Sobral. Esse é o mapa de como os primeiros casos vão acontecendo “, afirma.

O professor ainda falou sobre as UTIs e sobre as medidas de isolamento social. “As UTIs estão todas em Fortaleza e já com lotação. Nós temos que intensificar de forma muito forte as medidas não farmacológicos nesse momento de isolamento social”, afirma.

A face da desigualdade social é uma das características apresentadas pelo vírus, segundo Odorico, que acredita que o contágio irá se expandir de forma severa à população mais pobre. “A forma como ele vai se expandir para população mais pobre, com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), vai ser de forma muito dura. Não tenha dúvida, nós precisamos ampliar e fortalecer as medidas de isolamento social”, ressalta. “Ainda não temos o remédio, mas nós temos medidas — que estão confirmadas cientificamente — de isolamento social, para que a gente possa reduzir o contágio da doença e ir gradativamente convivendo com ela e salvar vidas”, pontua.

Odorico acredita que o modelo asiático de enfrentamento da pandemia tem sido o melhor até agora, ao contrário do brasileiro. “Nós estamos enfrentando a maior crise sanitária dos últimos 100 anos no Brasil (...) Nós podemos entrar com quatro ou cinco modelos de enfrentamento da pandemia. E o que me entristece mais é que talvez o pior modelo, mais desastroso, vá ser o modelo brasileiro”, diz.

Apesar de o Brasil possuir o Sistema Universal de Saúde (SUS), a falta de coordenação do Governo Federal com as gestões estaduais e municipais tem tornado o combate à Covid-19 bastante difícil, avalia. “Essa pandemia exige uma coordenação articulada entre a União, os estados e municípios. Infelizmente não estamos vendo isso no Brasil”, afirma.

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Para conter o avanço do vírus é preciso fortalecer o lockdown — isolamento mais rígido e criar medidas públicas de suporte às populações mais pobre, de acordo com Odorico.

“Precisamos ter medidas de segurança pública; ter medidas de apoio, suporte e alimentação às populações mais pobres; temos que discutir com a sociedade como um todo a criação de uma rede social de suporte às famílias mais pobres para que a gente possa garantir o lockdown e o isolamento social por mais meses do que a gente tá pensando. Nós não vamos vencer a pandemia em 15 dias”, pontua

O que é o AGIR

Iniciativa da Fundação Demócrito Rocha, o projeto AGIR - Todos contra o coronavírus estreou no dia 21 de abril, com a missão de informar e prestar serviço sobre o novo coronavírus. A ação conta com entrevistas em transmissões ao vivo no Facebook e quadro diário na Rádio O POVO CBN, apresentado por Cliff Villar, de segunda a sexta-feira, às 10 horas.

A partir do dia 18 de maio dez áudio-cartilhas serão veiculadas, sendo seis destinadas ao Ensino Fundamental II e quatro para o jornalismo comunitário. Além disso, na mídia impressa serão publicamos cinco cadernos especiais nos dias 8, 14, 15, 21 e 22 de maio.

Ainda serão produzidos o total de 30 episódios de podcasts de dez minutos cada, 44 webinars de uma hora de duração e 18 webdocs de três minutos.


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