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Coronavírus
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Estado de São Paulo prevê mais de 111 mil mortes em seis meses por coronavírus

Medida de quarentena fora estendidas para dirimir impacto da Covid-19 na unidade federativa de maior população no Brasil

23:59 | 06/04/2020
O Governador do Estado de São Paulo João Doria durante coletiva de imprensa sobre o Coronavírus. Dia: 01/04/2020 Local: São Paulo/SP  foto Sergio Andrade (Foto: Sergio Andrade)
O Governador do Estado de São Paulo João Doria durante coletiva de imprensa sobre o Coronavírus. Dia: 01/04/2020 Local: São Paulo/SP foto Sergio Andrade (Foto: Sergio Andrade)

O estado de São Paulo estendeu as medidas de quarentena por duas semanas nesta segunda-feira, 6, mas espera que, mesmo com essas restrições, o novo coronavírus deixe pelo menos 111 mil mortos em seu território nos próximos seis meses.

São Paulo, o estado mais populoso do Brasil, com 45,9 milhões de habitantes, totaliza 304 mortes por Covid-19, 54,9% do total nacional (553 mortes) e 4.861 casos de um total de 12.056, segundo dados do Ministério da Saúde.

O cenário com restrições de tráfego prevê 1.300 mortes até 13 de abril, enquanto que, se nenhuma medida for aplicada, esse número aumentará para quase 5.000, e semestralmente, para 277.000, disse o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas em coletiva de imprensa.

"Sem qualquer tipo de medida, teríamos 277.000 mortes no estado de São Paulo, mas com as medidas, evitaremos 166.000", informou, ao lado do governador do estado, João Doria.

"Isso é para que tenhamos uma dimensão do que nos espera", acrescentou, em um momento em que a controvérsia se intensificou entre o presidente Jair Bolsonaro, contra as quarentenas em nome da preservação da atividade econômica e a maior parte governadores e boa parte de seus ministros.

Prefeito de São Paulo e ex-vice de Doria, Bruno Covas acrescentou que o cumprimento da quarentena reduzirá o número de consultas nos centros de saúde para sintomas de coronavírus de 1,3 milhão para 670.000 nos próximos seis meses. O estado de São Paulo possui 12.547 leitos em terapia intensiva e metade já está ocupada, informou ele.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reafirmou nesta segunda-feira, 6 sua permanência no cargo, após um dia marcado por boatos sobre sua demissão por parte de Bolsonaro.

"Hoje foi um dia emocionalmente duro...", admitiu Mandetta sobre os boatos, antes de afirmar que seguirá enfrentando o "nosso inimigo" (Covid-19) com base em critérios científicos, incluindo o distanciamento social, criticado por Bolsonaro.

Parte da imprensa deu como certa nesta segunda-feira a demissão do ministro. Seu substituto, de acordo com essas versões, poderia ser o ex-ministro Osmar Terra, que afirmou em uma coluna que compartilha da posição antiquarentena de Bolsonaro.

Quarentena ampliada

Doria estendeu por mais duas semanas, até 22 de abril, a quarentena que entrou em vigor em 24 de março. Com a medida, apenas comércios considerados essenciais, como supermercados e farmácias, continuarão funcionando.

O prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, reconheceu que o movimento de pessoas havia aumentado nos últimos dias e indicou que as autoridades estavam estão avaliando reforçar os controles.

"Quero deixar claro que se houver desrespeito e continuarmos flagrando pessoas nas ruas e ajuntamento nas ruas de forma desnecessária, nós complementaremos com outras medidas e vamos anunciando isso gradualmente", alertou Doria, que lembrou que as forças de segurança do estado estão autorizadas a dispersar aglomerações.

O governador, visto como possível candidato nas próximas eleições presidenciais, tem batido de frente com Bolsonaro, seu ex-aliado. "Vamos agir com base na ciência", reiterou Doria nesta segunda-feira.

"Aqueles que incentivam para uma vida normal e que nos pressionam para agir contra os princípios da medicina, eu pergunto: Vocês estão preparados para assinar os atestados de óbitos dos brasileiros? Para carregar os caixões das vítimas do coronavírus? Os que defendem a abertura e minimizam (a pandemia) vão enterrar as vítimas?", questionou.

Doria elogiou a posição do ministro Mandetta, contra quem Bolsonaro multiplicou os ataques nos últimos dias.

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