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Coronavírus
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Bolsonaro e Doria brigam em reunião e governador cogita ir à Justiça

Governadores do País se reúnem na tarde desta quarta-feira, 25, para tratar de medidas para conter o avanço do novo coronavírus após o fala do presidente minimizando a pandemia

16:43 | 25/03/2020
 presidente Jair Bolsonaro o governador João Doria juntos em evento no início de 2019 (Foto: Marcos Corrêa/PR)
presidente Jair Bolsonaro o governador João Doria juntos em evento no início de 2019 (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Em reunião com os governadores do Sudeste na manhã desta quarta-feira, 25, o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e o chefe do Executivo estadual de São Paulo João Doria (PSDB) subiram o tom da tensão que vinha se estabelecendo nos últimos dias entre os antigos aliados. Os dois mandatários trocaram farpas diretamente pela primeira vez desde o início da crise resultante do avanço do novo coronavírus.

Doria iniciou sua fala criticando o pronunciamento feito pelo presidente em cadeia de rádio e televisão na noite dessa terça-feira, 24. O tucano disse que Bolsonaro deveria dar o exemplo para melhorar o País, referindo-se às medidas evocadas pelo presidente que contrariam as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ele defendeu que os 27 governadores do Brasil, que se reúnem a partir das 16 horas desta quarta-feira, estão juntos para “salvar vidas”, adotando medidas que “preservem empregos” e deixem “o mínimo necessário para que a economia possa se manter ativa”. Doria contestou ainda a tentativa da União de confiscar respiradores de São Paulo. “Se (a decisão) for mantida, tomaremos medidas no plano judicial."

Jair Bolsonaro, em tom de voz elevado, de forma distinta do mandatário paulista, respondeu acusando Doria de ter usado seu nome para se eleger nas eleições de 2018 e, depois, o “atacar covardemente”. “Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente do Brasil. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o Governo Federal”, disse o presidente. Durante a campanha, o governador de São Paulo escanteou o candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin, iniciando o movimento "Bolsodoria", pareando o nome ao do então favorito no pleito federal.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o presidente disparou ainda mais ataques ao fim da reunião, quando Doria pediu ao presidente “serenidade, calma e equilíbrio” para comandar o País.

"Não aceito em hipótese nenhuma essas palavras levianas, como se vossa excelência fosse o responsável por tudo o que acontece de bom no Brasil. Acusa, levianamente, esse presidente que trabalha 24 horas por dia. Não aceitamos essa demagogia barata. Vossa excelência não é exemplo para ninguém. Senhor governador João Doria, faça sua parte", disparou Bolsonaro.

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