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Coronavírus
NOTÍCIA

Brasil tem déficit de 23,6 mil leitos em hospitais

O déficit cearense é de 1.219 leitos, conforme o levantamento. O número está sendo suprido com obras municipais e estaduais de leitos temporários e hospitais de campanha, por exemplo

Lucas Braga
15:08 | 30/03/2020
O Estádio Presidente Vargas vai ser um Hospital de Campanha para cuidar de casos de Covid-19, com 204 leitos e de 3,5 mil metros quadrado,  (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
O Estádio Presidente Vargas vai ser um Hospital de Campanha para cuidar de casos de Covid-19, com 204 leitos e de 3,5 mil metros quadrado, (Foto: Aurelio Alves/O POVO) (Foto: AURELIO ALVES)

Dados do Ministério da Saúde apontam necessidade em abril de, pelo menos, mais 22 mil leitos de enfermaria e 1,6 mil de terapia intensiva (UTI) no Brasil. Os dados foram divulgados pelo jornal O Globo nesta segunda-feira, 30. 

No Ceará, o déficit de 1.149 leitos de enfermaria e 70 de UTI tem sido suprido pelas mais recentes obras da Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado. Na Capital, o hospital de campanha construído no Estádio Presidente Vargas e aditamento de leitos às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ao Instituto Doutor José Frota 2 (IJF 2) são exemplos.

Houve ainda a aquisição temporária do Hospital Leonardo da Vinci e a criação (em andamento) de 150 leitos de retaguarda no Hospital do Coração, Hospital Geral Dr. César Cals e no Hospital Geral de Fortaleza (HGF).

A Secretaria da Saúde (Sesa) solicitou junto ao Ministério da Saúde a habilitação para instalação de novos leitos de UTI em sete municípios. São eles Itapipoca, Icó, Iguatu, Tauá, Crateús, Tianguá e Aracati. Além destes, 50 novos leitos estarão disponíveis nos três hospitais regionais: Cariri, Norte e Sertão Central. 

Leia também |Ceará prepara mais de 1.150 novos leitos para pacientes com coronavírus 

Unimed Fortaleza entrega novo hospital neste domingo para receber casos de coronavírus

A necessidade de novos leitos

A corrida para abrir novos leitos é ação antecipada, pela previsão de aumento exponencial dos casos de Covid-19. A doença demanda suporte respiratório em boa parte dos casos. Assim, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) projetou que, em apenas duas semanas, os casos graves de infecção por coronavírus no Ceará demandarão 46,3% dos leitos de UTI. O estudo tem como base a curva da epidemia no Brasil, caso seja semelhante à de países como China, Irã e Itália.

Sabe-se, então, da necessidade de abrir novos leitos, mas a quantidade já existente é uma incógnita. A Abin aponta que o Ceará tem 18.510 leitos.

Questionadas desde a manhã de quinta-feira, 26, por telefone e e-mail, as Secretarias da Saúde de Fortaleza (SMS) e do Estado (Sesa) não confirmam a contagem. A SMS informou, na tarde de sexta-feira, que o reduzido quadro técnico impossibilita o levantamento. Os números são importantes para a construção de políticas voltadas ao tratamento da Covid-19.

A Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Estado demandou a quantidade de leitos exclusivos a pacientes com a Covid-19. A Sesa tem até a manhã de quinta-feira, 2, para responder ao MP.

Outros estados

Levantamento do Ministério da Saúde, registrado em documento interno de 27 de março, mostra que 17 unidades da federação têm mais de 70% dos seus leitos ocupados. O mapeamento, divulgado pelo O Globo, foi feito com “informações fornecidas pelos entes”, em referência às instâncias e órgãos que podem regular leitos de UTI no país, como estados e municípios.

O último boletim do Ministério da Saúde, divulgado neste domingo, aponta que o novo coronavírus já matou 136 pessoas e infectou 4.256 em todo o País. São Paulo é o estado mais afetado até o momento, com 1.451 casos confirmados e 98 mortes.