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Autonomia

01:30 | 19/01/2017

DILEMAS DOS CAMPEONATOS ESTADUAIS 

Consultando o site da CBF sobre o cadastro nacional de clubes de futebol encontro os mesmos dados que encontrei anos atrás. São 783 registros de entidades das quais mais ou menos 100 disputam as competições promovidas pela Confederação. 

Percebe-se então que se não houvessem os campeonatos estaduais teríamos 80% dos clubes sem nenhuma competição oficial. Mesmo com este número, os estaduais vão perdendo sua importância porque a estrutura autoritária e elitista sempre impera. 

Muita gente é a favor da extinção dos estaduais, entre eles dirigentes de grandes clubes, justificando pelos jogos deficitários. Faz sentido. Numa sociedade em que a estrela guia é o mercado, o que interessa são os grandes patrocinadores apoiados pelas redes de televisão. 

Parte ponderável da imprensa esportiva também é contra os estaduais. Principalmente aqueles garotos-propaganda travestidos de comentaristas ou de repórteres, que são incapazes de fazer qualquer comentário que desmereça o evento. Se fizerem isso dizem que estariam dando um tiro no próprio pé. 

Os estaduais estão ameaçados de extinção. Até uma semana atrás, a tabela de jogos da Federação Cearense registrava local indefinido para todas as partidas. A mídia esportiva lamentou que o Estádio Presidente Vargas não estivesse em condições de ser utilizado. 

Triste solução! Se, por um lado, o PV sempre foi o quebra-galho de todas as equipes, por outro sempre escondeu a incompetência dos dirigentes de clubes, que foram incapazes de, ao longo da história, construírem estádios de futebol nos clubes que dirigiam.

Nossos clubes incentivam o programa sócio-torcedor. A oferta para seduzi-lo, no entanto, é uma piada. O torcedor ganha o direito de assistir aos jogos do clube. E pensar que Ceará e Fortaleza, com seus milhares de torcedores, poderiam ter uma sede social e o seu estádio próprio. 

A CBF deveria cuidar somente das seleções brasileiras. 

 

Se, por um lado, o PV sempre foi o quebra-galho de todas as equipes, por outro sempre escondeu a incompetência dos dirigentes de clubes, incapazes de construírem estádios de futebol nos clubes