PUBLICIDADE
NOTÍCIA

Mercado intenso

21/07/2019 22:33:24

Logo no início de Bruna Surfistinha, filme de 2011 estrelado por Deborah Secco, o que surge na tela preta são as logos das empresas que possibilitaram a concretização da obra. Aparecem as das empresas privadas - produtora, coprodutora, distribuidora... - e, então, as da Agência Nacional do Cinema e do Fundo Setorial do Audiovisual. Cada filme feito no Brasil leva por volta de uma dezena desses logos, ora mais, ora menos. As que mais se repetem são as de apoio e patrocínio público. E que bom! Cada presença de cada logo, entre as públicas e as privadas, significa um sem-número de empregos diretos e indiretos surgindo, de reais circulando desde a pré-produção até a exibição nas salas. Bruna Surfistinha foi criticado pelo presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que "não admitiria" que filmes como aquele sobre a ex-garota de programa fossem feitos com apoio da Ancine. A justificativa seria contra o "ativismo" e em "defesa da família". Circula nas redes sociais uma imagem que reúne informações facilmente comprováveis sobre o longa: ele levou mais de 2 milhões de brasileiros ao cinema, fez mais de R$ 20 milhões de bilheteria, gerou mais de 400 empregos diretos e indiretos; há ainda a estimativa de que ele movimentou mais de R$ 10 milhões em impostos diretos e indiretos. Não precisaríamos estar defendendo filme "A" ou "B" pelos seus dados numéricos ou impacto financeiro. Filmes lidam com o simbólico, o intangível. Há aqueles que não movimentam milhões nem na produção, nem na bilheteria, e são importantes da mesma maneira para o cinema brasileiro. Até o discurso contrário a Bruna Surfistinha pela "defesa da família", porém, também é enviesado. Assistindo ao filme, veja só, entende-se que família é um dos principais temas tratados na obra. Dica: ele está disponível na GloboPlay, TelecinePlay e na Netflix.

(João Gabriel Tréz, Jornalista)