Beto Guedes estreia show comemorativo em Guaramiranga

Beto Guedes estreia show comemorativo em Guaramiranga

Retomando as apresentações da escadaria da igreja matriz, Guaramiranga recebeu Beto Guedes na programação do 27º Festival Jazz & Blues

Quem viveu os primeiros anos do Festival Jazz&Blues em Guaramiranga guarda na memória os shows que aconteciam na escadaria da Igreja Matriz. Não bastassem os degraus darem aquele ar de anfiteatro, o casario, o cristo e a própria igreja faziam dali um cenário perfeito para as apresentações. Em seguida, a pedida era descer para a praça principal e ver a programação do Teatro Raquel de Queiroz.

Infelizmente, foram 16 anos em que o festival aconteceu sem esses dois palcos. Com o fechamento do teatro e o pouco caso do poder público local para a reabertura, foi construída uma tenda que abrigou o Jazz&Blues até o ano passado. Mas ambos os espaços foram retomados em 2026, quando o evento que acontece no período do Carnaval chegou à sua 27ª edição.

A programação em Guaramiranga teve início na segunda, 9, com uma masterclass ministrada pelo baixista Miquéias dos Santos com o baterista Adriano Azevedo. Ambos ainda apresentaram um show na noite da segunda, 16, no teatro. De sábado, 14, até terça, 17, o festival se dividiu em lançamentos de livros, oficinas, teatro infantil, apresentações de músicos locais na praça principal, cortejo de maracatu, jam sessions e muitos shows, de Fauzi Beydoun (Tribo de Jah) a Rosa Passos.

Beto Guedes estreia "Página 43"

E foi em meio a essa programação que Beto Guedes estreou a turnê “Página 43”, que celebra seus 75 anos – completados em 13 de agosto próximo. O nome do show faz alusão à canção “Page 43”, do lendário compositor norte-americano David Crosby, uma das influências do Clube da Esquina, movimento musical que tem em Beto um dos pilares. Outras duas referências dessa geração de músicos mineiros, Lô Borges e Milton Nascimento foram homenageados no show com a releitura de “Canção da América”. A homenagem foi discreta, apenas com ele citando uma de suas parcerias com Lô, que faleceu em novembro de 2025 aos 73 anos. Milton, 83 anos, que foi diagnosticado com Parkinson e demência, não foi citado, mas é impossível não ligar os versos “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sets chaves” à sua voz e carreira.

De perfil discreto, meio tímido, pouco falante, Beto Guedes iniciou o show com canções menos populares do seu repertório, até chegar “Espelhos d’água”, uma de suas célebres baladas. De guitarra em punho e dando pequenos goles numa cerveja, ele virou o jogo na segunda metade da apresentação puxando os muitos hits da carreira com a energia dos roqueiros que ele admira. A banda contou com Will Motta (teclados), Adriano Campagnani (contrabaixo), Cyrano Almeida (bateria) e Ian Guedes, filho de Beto, compartilhando vocais e guitarra.

“Lumiar”, “Amor de índio”, “Sol de Primavera”, “Feira Moderna” (parceria com Lô, bem lembrada na ocasião), “A página do relâmpago elétrico”, entre outras, desfilavam no repertório enquanto o público – em sua grande maioria adulta – cantava junto, aplaudia e balançava capas de LP. Após cerca de uma hora de apresentação, Beto Guedes se despediu e foi intimado a fazer um bis. Logo voltou para cantar “Cantar”, uma das belas canções de seu pai, Godofredo Guedes.

Jazzera canta Clube da Esquina e Moacir Bedê comemora 40 anos de carreira

Antes de Beto Guedes, o Clube da Esquina já havia sido homenageado pelo grupo Jazzera, que abriu o palco da Igreja Matriz na segunda, 16. O quarteto, natural de Guaramiranga, relembrou “Manuel o audaz”, do também mineiro Toninho Horta, e “Trem Azul”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos. O Jazzera é formado por Wagner Ferreira (baixo), Marcelino Ferreira (guitarra), Rafael Teixeira (bateria) e Denny Almeida (violão).

Em seguida, foi a vez de Moacir Bedê subir ao palco para comemorar seus 40 anos de carreira. Multi-instrumentista, ele fez uma seleção de composições registradas em seus discos autorais, como ele mesmo afirmou, quase 100% instrumentais. Acompanhado por Fábio Amaral (contrabaixo elétrico), Bruno Vasconcelos (bateria) e Thais Costa (percussão), ele apresentou uma variação de ritmos e melodias de muita beleza e sensibilidade. Reforçando o time, ele convidou Ellis Mário, um dos músicos mais celebrados do Ceará, para tocar flauta e saxofone, e Loren Gualda, para cantar algumas de suas canções que ganharam letra.

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