Carnaval do Recife: subida do Galo tem homenagem a Dom Hélder Câmara
Realizada na Ponte Duarte Coelho, subida do Galo Gigante homenageou o cearense Dom Hélder Camara em noite de valorização da identidade cultural
Identidade, tradição, homenagem e festa. Se fossem pedidas poucas palavras para descrever a noite de abertura do Carnaval do Recife 2026, essas seriam, sem dúvidas, as mais imponentes - ainda que não fossem suficientes para dimensionar o evento.
Na quarta-feira, 11, milhares de pessoas foram à Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife, para acompanhar a tradicional elevação do Galo Gigante. A cerimônia marca oficialmente o início do Carnaval da capital pernambucana.
A noite contou também com apresentações musicais e presenças de autoridades, como o prefeito de Recife, João Campos (PSB). A escultura de 32 metros de altura e oito toneladas tem como tema neste ano o “Galo Folião Fraterno”.
A alegoria faz referência ao cearense Dom Hélder Câmara, que atuou como arcebispo de Olinda e Recife e se destacou por sua atuação em defesa da paz, contra injustiças sociais e a ditadura militar.
O Galo Gigante também homenageia a psiquiatra Nise da Silveira, que revolucionou o tratamento mental no Brasil por meio da arte.
Carnaval do Recife: exaltação da cultura por meio do Galo
Montado para o Carnaval do Recife há mais de 30 anos, o Galo Gigante só passou a ser erguido enquanto evento para o grande público ver há alguns anos. O momento, tão aguardado pelos foliões, representa também o reforço da identidade local.
Mesmo marcada para às 19 horas, a subida do Galo estava sendo esperada horas antes por centenas de pessoas que chegavam à Ponte Duarte Coelho. Uma delas foi a advogada Elizabeth Regina dos Anjos, 72 anos.
Ela acompanha o bloco Galo da Madrugada, envolvido com o Galo Gigante, desde o início, há quase 50 anos. Há três anos vai à ponte para observá-lo subir. Neste ano, levou a irmã, a filha e a neta para participar da cerimônia.
"É a emoção de ver um elemento cultural de tanta importância para o nosso estado, nossa cidade e nossa cultura. Um elemento que sempre homenageia as pessoas mais importantes do estado e do País. É muita emoção. É lindo. Podem achar que não tem nada demais, mas acho muito importante", explicou a advogada ao O POVO.
Carnaval do Recife: apresentações musicais anunciam a chegada do Galo
Antes do Galo Gigante ser elevado, a festa de abertura do Carnaval do Recife contou com apresentações de Getúlio Cavalcanti, Bloco das Ilusões, Canindé do Recife, Clarins de Ouro de Pernambuco, Orquestra Som Brasil/Trio Som Brasil e Cia de Dança Perna de Palco.
Criado há 40 anos, o tradicional bloco lírico Bloco das Ilusões foi destaque na noite de abertura. A agremiação foi fundada por Carminha Freire, esposa do fundador do Galo da Madrugada, e é reconhecida por preservar o frevo.
O bloco desfilou com orquestra, coral e estandarte. Presidente do Bloco das Ilusões, Ana Nery Meneses participou da apresentação.
"É com uma alegria imensa que a gente participa desse momento mágico. A cada ano esse evento se supera, porque ele representa a abertura do nosso Carnaval com um símbolo que tem uma quantidade grande de foliões que adoram esse momento", afirmou.
Carnaval do Recife: homenagem a Dom Hélder Câmara e sustentabilidade
Ponto de maior destaque da noite, o Galo Gigante homenageou, além da psiquiatra Nise da Silveira, o arcebispo cearense Dom Hélder Câmara. A escultura foi idealizada pelo multiartista Leopoldo Nóbrega.
Dom Hélder frequentava a Igreja das Fronteiras e abençoava os blocos que passavam por sua porta. Ele considerava o Carnaval um ato de comunhão.
“Falar de Dom Hélder Câmara é falar de um espírito franciscano. Para mim, é uma honra poder trazê-lo (para o Galo). Costumamos dizer que a arte acessa e cria conexões sublimes. Foi Dom Hélder que nos procurou em energia e nos inspirou nessa jornada”, pontuou Leopoldo.
Na estrutura, o coração simbólico do arcebispo foi “transplantado”. Ele é composto de resíduos de papel e iluminado por luzes que simbolizam pulsação, transmitindo fé e esperança.
Quanto ao Galo Gigante, destaque para a utilização de materiais como conchas, lonas, sobras de cenografia, redes de arrasto, tampinhas, CDs e DVDs. A alegoria permanecerá na Ponte Duarte Coelho até 22 de fevereiro.
*Repórter enviado a Recife a convite da Prefeitura de Recife
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