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Grupos repercutem cancelamento de edital do Ciclo Carnavalesco no Ceará

Segundo Raimundo Praxedes, presidente da Associação Cultural das Entidades Carnavalescas do Ceará (ACECCE), a suspensão ocorreu sem debate prévio
11:41 | Nov. 30, 2021
Autor Miguel Araujo
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Tipo Notícia

Foi noticiada na manhã desta terça-feira, 30, a decisão do Governo do Ceará de suspender o XV Edital Ceará Ciclo Carnavalesco, que contemplava diferentes categorias para os festejos do Carnaval no Estado em 2022. A suspensão ocorreu horas depois do anúncio da abertura de inscrições para o edital, e repercutiu de diferentes maneiras para os setores que foram incluídos na ação.

Segundo Raimundo Praxedes, presidente da Associação Cultural das Entidades Carnavalescas do Ceará (ACECCE), a suspensão ocorreu sem debate prévio por parte da Secretaria da Cultura (Secult-CE) com o conselho formado por representantes de cada linguagem. Ele critica a rapidez com a qual foi suspenso o edital, levando em consideração que a abertura de inscrições ocorreu ainda ontem, 29.

De acordo com o presidente, o XV Edital Ceará Ciclo Carnavalesco foi construído ao longo de um período entre seis a oito meses, com discussões realizadas com os participantes. Praxedes questiona a inclusão da suspensão também para as atividades virtuais, visto que o edital previa, além de ações presenciais, programações virtuais e híbridas. “Nós não estamos brigando para fazer o Carnaval presencialmente. Estamos lutando para que seja possível realizar as ações virtuais, com calendários programados”, afirma Raimundo.

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Ele também argumenta sobre a liberação de quantidade expressiva de público nos estádios, por exemplo, com até 80% da capacidade dos equipamentos disponíveis para receber torcedores. Em sua visão, suspender o edital é bastante negativo, pois, além do tempo necessário para executar ações carnavalescas, existem os impactos na cadeia trabalhadora, envolvendo profissionais como costureiras e soldadores, por exemplo. Diante disso, Raimundo deseja que a Secult se reúna com o conselho para ajustar definições em conjunto.

Para Carol Grangeiro, integrante do bloco de Carnaval de Fortaleza Camaleões do Vila, a decisão de suspender as ações presenciais é “prudente” diante dos riscos envolvidos na disseminação da variante Ômicron. Por mais que “fique triste” com o anúncio, entende que é “necessário” neste momento.

Carol afirma que o bloco continuará se preparando e ensaiando “com todos os cuidados” em relação ao coronavírus, com distanciamento físico entre os integrantes e exigência de vacinação completa para os ensaios. Ela lembra a importância dos encontros para seus participantes: “O retorno do bloco é um alívio para as pessoas, o reencontro de amigos e o próprio tocar de instrumentos”. Ela espera que sejam informados “os próximos planos” sobre o edital para que continuem com a preparação para o ciclo carnavalesco.

No entendimento de Marcos Romano, integrante do bloco independente “Pra Quem Gosta É Bom”, a prioridade também é garantir a segurança sanitária neste contexto de pandemia. Segundo ele, para o bloco o edital serve mais como “uma referência” de como será realizado o ciclo carnavalesco, implicando em uma noção das normas que deverão ser seguidas pelo grupo para sua participação no Carnaval.

Assim, neste momento a sua postura é de espera: “É aguardar para saber o que o Governo do Estado e as autoridades sanitárias nos indicarão. Para nós, a prioridade é a saúde pública e estarmos respeitando as normas sanitárias. O que for mais saudável para a população nós estaremos seguindo”.

O “Pra Quem Gosta É Bom” tem se preparado nos últimos meses para se apresentar no pré-carnaval. A praça Waldemar Falcão, no Centro de Fortaleza, receberá a presença do bloco se for possível. Caso não seja, o grupo não pensa em adaptar suas ações para o formato virtual. “É aguardar o que vai acontecer”, alega.

A suspensão

Segundo nota publicada pela Secult-CE, o XV Edital Ceará Ciclo Carnavalesco “será submetido ao Comitê Científico de Combate à Pandemia quanto à viabilidade e forma de execução”. Estavam previstos R$ 1.180.000 em recursos de apoio a projetos voltados para as categorias Bailes e Matinês, Bandas de Música, Maracatus, Escolas de Samba, Blocos, Cordões e Afoxés.

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