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BaianaSystem lança "Navio Pirata", primeira parte do disco "OxeAxeExu"

Com Céu e BNegão, grupo apresenta o primeiro ato da obra "OxeAxeExu"

17:59 | 17/02/2021
Russo Passapusso é o vocalista da banda BaianaSystem (Foto: Leco de Souza / divulgação)
Russo Passapusso é o vocalista da banda BaianaSystem (Foto: Leco de Souza / divulgação)

Apesar de não ser associada diretamente como carnavalesca, BaianaSystem compartilha diversos códigos da festa de fevereiro, tais como a guitarra baiana e a forma de comunicação com os fãs. "A gente acredita que o público é um maestro que dita pra gente o que a gente tem que cantar", diz o vocalista Russo Passapusso. Em 2021, a data ganha mais um espaço na história do grupo com o lançamento do disco "OxeAxeExu".

"Nosso disco é lançado numa sexta-feira de Carnaval propositalmente, porque é onde a gente parou antes da pandemia", conta o guitarrista Beto Barreto. Foi nesse dia, há um ano atrás, que aconteceu a última aglomeração da banda, com o trio Navio Pirata alegrando as ruas de Salvador.

Dividido em três atos - "Navio Pirata", "Recital Instrumental" e "América do Sol" -, o álbum aposta na conexão latino-africana e no sentimento das questões vividas na pandemia. Tudo isso, claro, dito por entre melodias dançantes, com suingue latino e a presença forte dos tambores africanos. "A gente fala exatamente da situação que a gente está passando, seja pela pandemia, seja politicamente. E isso é uma coisa que está extremamente ligada com o nosso fazer de arte, ao que nos descreve", diz Beto.

Tudo começa em 2019, quando é lançado o disco "O Futuro Não Demora que traz", justamente, planos pro futuro de maneira esperançosa. "Foi aí que o mundo biológico parou a gente e mostrou que não é só o ser humano que decide, tem a natureza também", diz Russo.

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Veio a pandemia e com ela a percepção de que o tal amanhã iria demorar a chegar. Surge então "OxeAxeExu". "A gente viu que estamos mesmo em um mapa mundi e que esse mundo estava todo passando pela mesma coisa", conta o cantor, citando casos de desespero e incerteza pelos artistas parceiros do Chile, Tanzânia e Brasil.

O algarismo três também é um dos agregadores do projeto que, a cada três semanas terá um ato lançado. "Recital Instrumental" no dia 5 de março e "América do Sol", no dia 26. "O número é muito forte com os três x que fecham o nome (oxe, axé, exu), mas também durante todo o processo. Então por isso três atos e por isso palco, porque palco não se tem", explica o vocalista. O disco também é a terceira parceria com o produtor Daniel Ganjaman, depois de "Duas Cidades" (2014), e "O Futuro não Demora" (2019).

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Em uma percepção mais filosófica, o número também nos obriga a sair da dualidade pré-Covid, pós-Covid, mas, sim, pensar no agora, no momento que estamos vivendo. "O único positivo que eu posso ver disso tudo é o poder do brasileiro de se reconstruir e se adaptar de uma forma muito peculiar, e de reinventar a fé através de uma mistura de raça, de cores", diz ele.

Apesar disso, os elementos não são separados, representam uma continuidade. "As três palavras - oxe, axé, exu - viram uma, sem ter uma prioridade ou uma ordem nisso. E é um pouco do que a gente imagina que acontece com esses atos que se lança separadamente, mas depois eles viram uma coisa só", conta Beto.

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Nas sete faixas que correspondem ao primeiro ato, é possível perceber a presença forte da religião. "A reza se tornou um elemento presente durante todo o processo de criação e pesquisa do novo trabalho. De formas diferentes, línguas diferentes e nas mais diversas compreensões, o sentimento de recitar, suplicar, de conectar fazia todo sentido", conta Beto. Em "Navio Pirata", o grupo apresenta parcerias com Céu, BNegão e os artistas da Tanzânia Makavelli e Jaymitta.