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Morre o mestre da cultura Pedro Bandeira, príncipe dos poetas populares

Pedro Bandeira faleceu na tarde desta segunda-feira, 24. Ele era conhecido pelos trabalhos como poeta, cantador repentista, escritor e era Mestre da Cultura do Estado. Ele tinha 82 anos

18:37 | 24/08/2020
Aos seis anos de idade, Pedro Bandeira já fazia versos, e aos 17 tornou-se cantador profissional. (Foto: Alecio Cezar)
Aos seis anos de idade, Pedro Bandeira já fazia versos, e aos 17 tornou-se cantador profissional. (Foto: Alecio Cezar)

Faleceu na tarde desta segunda-feira, 24, Pedro Bandeira, em Juazeiro do Norte. Ele era conhecido como o príncipe dos poetas populares do Nordeste. Ele tinha 82 anos e a causa da morte não foi divulgada e detalhes sobre o enterro não foram divulgados. Em 2018, ele recebeu o título de Tesouro Vivo da Cultura pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult).

A notícia da morte foi divulgada em redes sociais por meio de um vídeo feito pelas filhas, Íria Maria e Analica Bandeira. “Gratidão pela vida por ter nos dado esse grande pai e esse extraordinário poeta ao mundo”, disse Íria, emocionada.

Confira em primeira mão a homenagem feita por Geraldo Amâncio para o príncipe dos poetas, Pedro Bandeira | Leia mais

“Pedro Bandeira não era só o príncipe dos poetas populares do Nordeste. Ele era um grande arquiteto da literatura popular e da cantoria. Nessa matéria, foi professor e maestro. Seus versos são da grandeza dos grandes poetas clássicos da língua portuguesa. Era um homem culto e extremamente popular. Seus versos lidos, declamados ou cantados estão gravados nos corações do sertão nordestino. Além disso, foi um grande comunicador e difusor da cultura popular. O Nordeste deve muito a esse senhor na construção de nossa identidade e pertencimento como seres nordestinos. Então, gratidão poeta mestre Pedro Bandeira! Siga seu caminho de luz! Salve sua obra e daqui continuamos na nossa peleja. Viva Pedro Bandeira!”, disse o secretário da Cultura do Estado, Fabiano Piúba, em nota divulgada pela Secult.

“No dia do meu enterro / não precisa de aparato / enterre os meus pés em Barbalha / o meu coração no Crato / e a cabeça em Juazeiro”, cantou, certa vez, seu amor pelo Cariri.

Sobre o príncipe dos poetas populares

Pedro Bandeira Pereira de Caldas nasceu em 1º de maio de 1938, no Sítio Riacho da Boa Vista, no município paraibano de São José de Piranhas. Aos seis anos já fazia versos. Era licenciado em Letras Clássicas pela Faculdade de Filosofia do Crato, bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Crato, e bacharel em Teologia pela Universidade Vale do Acaraú (UVA). Cantador profissional, cordelista e escritor, autor de mais de mil folhetos e centenas de poemas, com livros publicados e muitos LPs e CDs gravados, também participava de várias sociedades culturais, filantrópicas e recreativas, entre elas a Associação dos Violeiros, Poetas Populares e Folcloristas do Cariri (AVPPFC), da qual é fundador.

Pedro Bandeira é autor de centenas de músicas, entre elas a peça “Graça Alcançada”, que veio a ser gravada por mais de 20 intérpretes e pode ser considerada o hino dos romeiros e das romarias em Juazeiro do Norte. O artista já cantou para o papa João Paulo II, para os ex-presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, João Figueiredo, Fernando Collor e José Sarney. Além disso, teve músicas gravadas por Luiz Gonzaga, Fagner, Luis Vieira, Alcimar Monteiro, Trio Nordestino, entre outros.

Além de renomado expoente de uma geração de cantadores, Pedro Bandeira veio a destacar-se também na Literatura de Cordel, com mais de uma centena de títulos publicados e ilustrados pelos principais xilógrafos cearenses. Escreveu ainda 14 livros, entre eles “Matuto do Pé Rachado” e “O Sertão e a Viola”. Também idealizou e criou os jornais periódicos “Voz do Folclore”, “Voz da Nova República” e “O Crajubar”. Também foi membro Fundador da Câmara Júnior de Juazeiro do Norte, ao lado de nomes como Aldemir Sobreira, Vicente Magalhães e outros.