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Exibições de lives brasileiras levantam questionamentos sobre aglomeração de pessoas

Crítica foi motivada principalmente após divulgação de foto dos bastidores da transmissão da dupla Jorge e Mateus, em que um garçom aparece de máscara em uma sala cheia

Natália Coelho
08/04/2020 15:49:32
Live de Jorge e Mateus reuniu cerca de 18 funcionários, que trabalharam em rodízio
Live de Jorge e Mateus reuniu cerca de 18 funcionários, que trabalharam em rodízio (Foto: Reprodução)

Foto dos bastidores da live do Jorge e Mateus.
Foto: Reproduçao/Twitter
Foto dos bastidores da live do Jorge e Mateus.
Nos últimos fins de semana, os cantores de sertanejo, pop, forró e pagode chegaram às lives do Instagram. Após o sucesso de apresentações internacionais, como as de Elton John e Chris Martin, que soltaram as vozes da sala de suas casas, algumas transmissões brasileiras também começaram a chamar atenção. Cantores como Jorge e Mateus e Gusttavo Lima fizeram os famosos “ao vivo” com presença equipe técnica e de produção, juntando um número considerável de pessoas no mesmo espaço, ocasionando uma crítica por parte de usuários.

A crítica foi motivada principalmente após divulgação de foto dos bastidores da transmissão da dupla Jorge e Mateus, em que um garçom aparece de máscara em uma sala cheia. Segundo a assessoria da dupla, em nota para a revista Quem, um total de 18 pessoas trabalharam para a produção da live, mas em revezamento. Ainda segundo a assessoria, a produção estava de luvas e máscaras e o local estava com vários frascos de álcool gel.

Segundo assessoria de Gusttavo Lima, a primeira transmissão contou com sete pessoas na equipe, entre técnico de som, videomakers, um músico e um garçom, todos indispensáveis para a transmissão e usando máscara e luvas.

A live dos cantores bateu o recorde mundial de acessos simultâneos em um ao vivo do Instagram, com a marca 3,1 milhões. No total, a transmissão recebeu 25 milhões de acessos. A dupla também arrecadou doações para pessoas afetadas pela quarentena. Segundo seu perfil de Instagram, o show, de mais de quatro horas, reuniu 172 toneladas de alimento.

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Sobre a presença de pessoas em lives, o professor Ivo Castelo Branco, infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) explica que não existe nenhum método 100% preventivo na medicina. Segundo ele, na atual conjuntura de transmissão comunitária, só a máscara não é suficiente para a prevenção. “Se é possível ficar em casa, é melhor ficar. E isso vale para tudo, inclusive para o sertanejo”, ressalta.

De acordo com o professor Anastácio Queiroz, infectologista, as transmissões não representam perigo se, de fato, todas as medidas de segurança estiverem sendo tomadas. Entretanto, segundo o professor, quanto mais pessoas juntas, maior a chance de uma não respeitar o procedimento, o que pode acarretar em um problema para todos. “As pessoas devem manter a distância e usar a máscara, então eu não vejo problema (com a atividade). Mas mesmo assim, quem tá de máscara pode por exemplo colocar a mão no rosto ou mexer na máscara, e a mão é um potencial veículo de transmissão”, analisa o professor, também da UFC.

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