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Maria Firmina dos Reis, primeira romancista brasileira, recebe homenagem do Google nesta sexta

A escritora do séc XIX é conhecida por suas atividades no abolicionismo negro e é considerada a primeira romancista brasileira por sua obra "Úrsula", lançada em 1859

11/10/2019 18:09:37
Maria Firmina dos Reis é considerada a primeira romancista brasileira e foi homenageada com ilustração do Google
Maria Firmina dos Reis é considerada a primeira romancista brasileira e foi homenageada com ilustração do Google (Foto: Reprodução Google)

As frases “troco escravidão por liberdade, por ampla liberdade!”, que marcam uma das cenas do livro “Úrsula", se perpetuaram nas mãos de Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira. A autora foi homenageada no Doodle (ilustração na página inicial do Google) nesta sexta feira, 11 de outubro, data em que a maranhense completaria 194 anos.

Maria Firmina dos Reis se destacou não só pelo caráter ultra romântico da obra, feita pela primeira vez pelas mãos de uma mulher, mas pela inauguração da temática abolicionista no Brasil, antecipando inclusive o romântico de terceira geração, Castro Alves.

Nascida em São Luís do Maranhão no 11 de outubro de 1825 (ou em 1822, como ainda discutem alguns estudiosos), já é figura de peso na literatura brasileira e afro-brasileira. Filha fora do casamento de pai negra e mãe branca, Maria Firmina foi criada pela tia materna em Guimarães e, apesar da época, conseguiu ter acesso à educação.

Publicava poesias, charadas, enigmas e crônicas nos jornais na imprensa local e, em 1847, tornou-se professora de uma escola primária. Mas foi com “Úrsula”, livro de 1859 pelo qual escreveu sob o pseudônimo de “A Maranhense”, que a autora se consagrou como uma das grandes nomes da literatura brasileiras.

“Não é a vaidade de adquirir nome que me cega, nem o amor próprio de autor. Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem (...), escreveu a romancista no prólogo de seu livro, em justificativa para o pseudônimo.

A história de amor entre dois jovens, Úrsula e Tancredo, se consagra para além do romance proibido. O retrato e a denúncia do autoritarismo pré-abolição da escravatura brasileira, em 1888, é um documento de não só como as mulheres utilizavam a escrita como artifício para alcançar o ambiente público, mas de uma obra que aborda a escravidão no ponto de vista dos escravizados.

A narrativa abolicionista continua no conto “A Escrava”, publicado em 1887 na “Revista Maranhense”, que aborda a discriminação racial no Brasil da época. Falecida em novembro de 1917, a autora não foi esquecida e ainda é peça importante para entender a trajetória do Brasil, entre a luta do lado protofeminista e a do lado abolicionista da história.

 

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