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Amantes do erudito

No dia 22 de julho é celebrado o Dia do Cantor Lírico

22/07/2019 17:09:13
(Foto: Divulgação)

Existem dois principais tipos de canto: popular e lírico. Mas quando falamos em música é pouco comum ouvir alguém dizer que o segundo é o estilo preferido. Entretanto existem milhares de apaixonados pela música clássica. Nesta segunda-feira, 22 de julho, é celebrado o Dia do Cantor Lírico. Uma das pessoas que se dedicam à arte  é o professor de Canto Coral da Universidade Federal do Ceará (UFC - Sobral),  Wenderson Oliveira. Ele explica que existe que a diferença entre os cantos lírico e popular no que diz respeito à utilização muscular. "O lírico necessita utilizar determinados músculos que no popular não são usados, nós não estamos no nosso registro basal, que a voz da fala", aponta o professor.

Mas, apesar da distinção entre os dois cantos, é possível que qualquer pessoa decidida a estudar torne-se intérprete lírico? Segundo Wenderson, que também é Mestre em Práticas Interpretativas no Canto pela Universidade Federal de Uberlândia(UFU), “sem sombra de dúvida”, sim. O professor diz que é tudo uma questão de exercício dos músculos, que auxilia a construção técnica da voz. “Hoje temos pesquisas e práticas que nos levam a entender que o canto lírico é para todas as pessoas, e não como era a ópera no século XVII, onde a ideia era de que havia um dom divino”, esclarece.

Tatiana Vanderlei é exemplo de que as barreiras existentes em séculos passados entre o amor pela música e descoberta de novas habilidades podem ser derrubadas quando menos se espera. Bacharel em Direito, a cantora, que hoje ostenta diversos prêmios internacionais, teve seu primeiro sinal de paixão pela música clássica enquanto assistia TV. Uma propaganda que usou a ária “Oh mio babbino Caro”, da Ópera Gianni Schicchim, como trilha musical seduziu Tatiana de tal maneira que a soprano diz ter passado tempos com um trecho da obra em sua cabeça, reproduzindo o que conseguia pelos corredores da faculdade.

A decisão de mudar de profissão aconteceu após um encontro da, à época, estudante de Direito e a professora Violeta Arraes. “Ela me ouviu e falou, ‘menina deixa tudo o que você está fazendo e vai estudar canto lírico’, e foi aquilo que mudou a minha vida”, lembra. Antes disso, ela tinha experiência com canto coral, mas só no canto erudito diz ter encontrado “uma paixão tão avassaladora que não conseguia mais encontrar paz na alma” sem conviver de perto com a arte. Depois de uma graduação em Belas Artes e uma especialização em Performance do Canto Lírico, Tatiana decidiu que era hora de ir mais longe. Em 2005 viajou para a Itália, onde fez mestrado e mora até hoje.

O cearense Leandro Cavalcante que descobriu aos poucos a gênero. Formado em Composição e Regência pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), o também ator, está atualmente em cartaz com o espetáculo musical "O Fantasma da Ópera" em São Paulo. “Sempre estive vinculado a processos e trabalhos que envolviam performance cênico-musicais e sempre me atraiu muito estar no palco e contar histórias”, explica o performer.

Mas a música esteve presente na vida de Leandro desde a infância, quando cantava nos corais do colégio e do trabalho da mãe na época. Apesar de ter cursado conservatório de piano clássico no ensino médio, a decisão de seguir uma carreira artística surgiu mais tarde. “Somente na metade do curso superior de música que comecei, de fato, a investir na carreira de performer como o que eu queria pra minha vida em primeiro plano”, pontua.

Quando perguntados sobre o panorama do canto lírico no Estado, a opinião dos dois é bem semelhante: falta investimento e divulgação. “A platéia se forma com a frequência das performances e a cultura da ópera e da música de concerto se desenvolve, as pessoas amam ouvir”, defende Leandro. Para Tatiana tudo o que é relativo à arte clássica em geral necessita de mais atenção, apesar de haver um tímido crescimento nos últimos anos.

Wanessa Lugoe/ Especial para O POVO