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Tecnologia
Analise

Apple lança cabo que custa o preço de um celular

Por R$ 1.299, acessório tem o mesmo valor de smartphones intermediários; empresa já vende outros produtos com preços pouco justificáveis

Bemfica de Oliva
23:22 | 28/07/2020
Uma pessoa que recebe um salário mínimo por mês precisaria trabalhar 38 dias sem gastar um centavo para comprar um cabo do tipo (Foto: Divulgação/Apple)
Uma pessoa que recebe um salário mínimo por mês precisaria trabalhar 38 dias sem gastar um centavo para comprar um cabo do tipo (Foto: Divulgação/Apple)

Desde essa segunda-feira, 27, a Apple começou a vender em seu site um cabo do tipo Thunderbolt 3. O maior "destaque" - e não no sentido positivo - do produto é o preço: R$ 1.299. É exatamente isso que você leu: mil e trezentos reais por um cabo.

Por este valor, o cliente leva dois metros de acabamento reforçado em fios de nylon, duas pontas USB tipo C, suporte à tecnologia Thunderbolt 3 com até 40 Gb/s de velocidade de transferência, e recarga com potência de 100 W - cabos USB tipo C podem ser ligados em carregadores compatíveis tanto com celulares quanto com notebooks. Obviamente, cada característica depende de equipamentos que tenham estas funcionalidades - como os próprios computadores da Apple, que deixaram de ter entradas USB tipo A, mais comuns, há alguns anos.

Na mesma faixa de preço é possível comprar, por exemplo, um Moto G8, da Motorola. Anunciado em março deste ano, o celular possui câmera tripla na traseira, 64 GB de memória interna, processador octa-core Snapdragon 665 e tela de 6,4 polegadas, além de bateria de alta capacidade com 4.000 mAh.

Não é como se houvesse muita concorrência para a empresa. É difícil encontrar em lojas online produtos similares, e todos vêm de fora do país. As outras opções disponíveis nacionalmente são também no site da própria Apple: uma versão mais simples, sem reforço em nylon e com 80cm de comprimento, por R$ 269; e um cabo da Belkin, também de 2 metros, mas sem acabamento em tecido e com potência de carregamento de 60 W.

Em sites estrangeiros, é possível encontrar outras alternativas: a Belkin vende uma versão em seu site por US$ 70, cerca de R$ 360. Na Amazon dos Estados Unidos, há um cabo da Anker por US$ 30 (cerca de R$ 155) e um da Nekteck por US$ 56 - aproximadamente R$ 290. Todos os cabos são em borracha (sem reforço em nylon) e suportam carregamento de até 100 W. Os modelos da Belkin e da Nekteck têm 2 metros, enquanto o da Anker possui apenas 50 cm. É importante ressaltar que os preços são apenas a conversão direta dólar-real, havendo ainda custos de frete e taxas de importação.

Nos últimos meses, a empresa lançou outros acessórios que chamaram a atenção pelo preço incompatível com a realidade. Em dezembro, a Apple anunciou a nova geração do computador Mac Pro, além do monitor Pro Display XDR. Os valores dos produtos em si já são muito chamativos (R$ 61.599 a R$ a R$ 536.598 para o computador e R$ 44.999 a R$ 53.999 para o monitor), porém levemente compreensíveis quando se entende que eles são direcionados a aplicações profissionais de altíssimo desempenho, e não a usuários finais.

O destaque fica em outros aspectos: no Mac Pro, um jogo de rodinhas para equipar o gabinete sai por nada menos que R$ 4.000. Os rodízios sequer têm travas para evitar que o computador saia deslizando em caso de uma batida acidental, por exemplo. Para o monitor, a situação é ainda pior: quem quiser usá-lo montado em uma parede precisa desembolsar R$ 1.699 pelo encaixe vendido pela Apple. Se a intenção for usá-lo em uma mesa, a base compatível custa nada menos que R$ 8.699.

Há, por fim, rumores indicando que a próxima geração de iPhones virá sem fones de ouvido e sem carregador na caixa, tendo apenas celular e cabo. A versão de entrada para a nova versão do aparelho pode custar a partir de R$ 9 mil.

Para quem se interessar, o produto está em estoque na loja online da empresa. É possível parcelar em 12 vezes ou pagar à vista com 10% de desconto. O frete é gratuito.