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Tecnologia
NOTÍCIA

YouTube anuncia que irá retirar anúncios personalizados em vídeos infantis na plataforma

Decisão vem após multa de R$ 700 milhões. Alguns recursos, como comentários e notificações, serão retirados

23:05 | 06/09/2019

O YouTube deixará de exibir anúncios segmentados nos vídeos destinados às crianças e implantará novas práticas de dados para conteúdo infantil. A mudança foi publicada no blog oficial da plataforma nessa quarta-feira, 4. Um dia antes, um acordo determinou que o Google, dono do YouTube, deverá pagar cerca de R$ 700 milhões aos cofres públicos dos EUA por violar regras de proteção à privacidade.

No comunicado, a empresa informa que, em quatro meses, deixará de veicular anúncios personalizados em vídeos infantis. Afirma ainda que tratará "os dados de qualquer pessoa que assista ao conteúdo infantil no YouTube como proveniente de uma criança, independentemente da idade do usuário". Isso significa que a coleta de dados e o uso deles em vídeos feitos para crianças devem ser limitados ao "necessário para apoiar a operação do serviço". Além disso, alguns recursos, como comentários e notificações, serão retirados.

Para identificar o conteúdo para crianças, os criadores serão solicitados a informar quando o conteúdo se enquadrar na categoria. Ao mesmo tempo, um algoritmo deverá auxiliar nesse trabalho, identificando, por exemplo, vídeos que têm ênfase em personagens infantis, brinquedos ou jogos.

Reconhecendo que estas mudanças terão "um impacto significativo no negócio" das famílias e crianças criadoras de conteúdos, o YouTube garante que irá oferecer tempo e condições para adaptação. A CEO da empresa, Susan Wojcicki,  afirma que a plataforma está comprometida em trabalhar com os criadores na transição e em fornecer recursos para ajudá-los a compreender de uma melhor forma essas alterações.

Uma das formas de apoio é um fundo de US$ 100 milhões desembolsado ao longo de três anos e dedicado à criação de conteúdo infantil "atencioso e original", no YouTube e YouTube Kids.

"Nos próximos meses, compartilharemos detalhes de como estamos repensando nossa abordagem geral para crianças e famílias, incluindo uma experiência dedicada às crianças no YouTube", assegura Wojcicki. "Tenho o privilégio de trabalhar ao lado de pais que se preocupam profundamente em proteger as crianças. Sabemos o quanto é importante proporcionar às crianças, famílias e criadores de famílias a melhor experiência possível no YouTube e estamos comprometidos em fazer a coisa certa".

A multa

A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) multou o Google, dono da marca, em US$ 170 milhões - o equivalente a cerca de R$ 700 milhões - por entender que o mais popular site de vídeos do mundo violou regras de proteção à privacidade das crianças. Do valor total, US$ 34 milhões ficariam com o Departamento de Justiça e US$ 136 milhões ficariam com a FTC.

Segundo a FTC, a plataforma violou a chamada Lei Coppa, que define restrições para proteger a privacidade de menores de 13 anos nos Estados Unidos. São diversas acusações, mas as mais graves apontam que o YouTube coletou dados sem autorização prévia dos pais e não adotou medidas suficientes para evitar que conteúdo e anúncios inapropriados para crianças aparecessem no meio de vídeos infantis.