Saiba como acalmar seu pet diante dos fogos de artifício

Veja como reduzir o estresse, criar um ambiente seguro e proteger cães e gatos durante períodos de fogos de artifíco nesse fim de ano

22:05 | Dez. 31, 2025

Por: Luciana Cartaxo
Barulho intenso pode causar estresse e fobia sonora em cães e gatos, exigindo atenção dos tutores (foto: FERNANDA BARROS)

Barulhos intensos, repentinos e repetidos, como os fogos de artifício comuns em datas festivas, podem representar um sério risco ao bem-estar de cães e gatos.

Além do incômodo imediato, o som alto pode desencadear quadros de estresse, ansiedade e até fobia sonora, com impactos físicos e comportamentais que exigem atenção dos tutores.

Segundo a médica veterinária Lívia Rangel, esses ruídos costumam ser interpretados pelos pets como uma ameaça.

“A audição é um dos sentidos mais apurados dos animais, muito superior à dos humanos, capaz de captar sons de alta frequência que não percebemos. Essa característica, essencial para a sobrevivência dos ancestrais, hoje pode gerar grande desconforto diante de barulhos excessivos”, explica.

 

De acordo com a veterinária, a fobia sonora envolve uma reação intensa do sistema nervoso associada ao sistema endócrino, provocando a liberação elevada de cortisol e adrenalina.

Esse processo pode causar aumento dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória, além de tremores, salivação excessiva, agitação, agressividade e tentativas de fuga.

“Também podem surgir vocalização intensa, automutilação e, em casos mais graves, estado de choque”, alerta Lívia. Situações extremas podem levar a acidentes, como atropelamentos durante fugas, ou até ao óbito, especialmente em animais com doenças pré-existentes.

A longo prazo, essas alterações fisiológicas e comportamentais podem desencadear problemas cardiovasculares e outras afecções graves.

Quando procurar ajuda veterinária

Nem todo episódio de medo exige atendimento imediato, mas alguns sinais são considerados de alerta. A recomendação é buscar um médico veterinário com urgência se o animal apresentar:

  • Ferimentos graves
  • Sangramentos
  • Sinais de atropelamento ou colisão
  • Convulsões, desmaios
  • Dificuldade respiratória
  • Tremores intensos
  • Andar cambaleante ou inquietação que não cesse mesmo após o fim dos fogos

“Qualquer comportamento persistente e incomum no seu pet durante ou depois do evento deve ser avaliado por um profissional”, orienta a profissional.

Dicas práticas para reduzir o estresse dos pets

Embora a forma mais eficaz de evitar esses riscos fosse a não utilização de fogos barulhentos, a realidade nem sempre permite esse controle. Por isso, algumas estratégias podem ajudar a minimizar o sofrimento dos animais.

Uma delas é oferecer distrações e momentos de relaxamento durante os fogos, como brincadeiras e estímulos positivos. Criar um ambiente seguro dentro de casa também é essencial, mantendo portas e janelas fechadas para reduzir o barulho e evitando deixar o pet sozinho ou preso.

O comportamento do tutor faz diferença. Manter-se calmo e transmitir tranquilidade ajuda o animal a se sentir mais seguro. “A agitação do tutor pode intensificar o pânico e aumentar o risco de fuga”, destaca Lívia.

Outra alternativa é ligar a televisão ou um som ambiente e aumentar o volume gradativamente, de preferência alguns dias antes dos eventos com fogos, para que o pet se adapte aos ruídos mais altos sem sustos repentinos.

A chamada “técnica do pano” também pode ser utilizada. O método consiste em envolver suavemente o corpo do animal com um pano grande e macio, especialmente nas regiões do peitoral e das orelhas, gerando uma pressão leve que auxilia na liberação de hormônios relacionados à redução do estresse.

Massagens suaves complementam a sensação de segurança.

Uso de medicamentos exige cautela

Em alguns casos, o uso de medicamentos psicoativos, alopáticos ou homeopáticos, pode fazer parte da estratégia terapêutica.

No entanto, a médica veterinária reforça que qualquer intervenção farmacológica deve ser indicada exclusivamente por um profissional.

“A automedicação pode causar intoxicação e agravar o quadro do animal. Cada pet precisa de uma avaliação individual para que o tratamento seja seguro e eficaz”, finaliza.

Com informação, preparo e cuidado, é possível atravessar períodos de fogos de artifício com menos sofrimento para os animais, protegendo sua saúde física e emocional.