Hematoma subdural: entenda causa de morte do autor de Dragon Ball
Akira Toriyama morreu aos 68 anos, vítima de um hematoma subdural. Saiba quando a condição vivida pelo artista pode acontecer
O mangaká Akira Toriyama, responsável pela criação do mangá “Dragon Ball”, morreu no dia 1º de março, aos 68 anos, em decorrência de um hematoma subdural. A notícia foi compartilhada nesta sexta-feira, 8, pela Bird Studio, espaço fundado pelo artista.
O comunicado destacou que Toriyama ainda possuía “vários projetos em pleno processo de criação” e agradeceu o suporte de “tantas pessoas ao redor do mundo”. “Esperamos que o mundo único criado por Akira Toriyama continue sendo amado por todos durante muito tempo”, completa.
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Um hematoma subdural, também conhecido como hemorragia subdural, é caracterizado como uma emergência médica, quando o sangue fica acumulado entre o cérebro e o crânio.
Entenda mais sobre a condição que afetou o criador de Dragon Ball.
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Hematoma subdural: quando acontece?
“A causa mais comum do hematoma subdural é o trauma. Então, a pancada na cabeça é a principal causa”, indica Samir Magalhães, neurologista e médico do sono, com atuação no Hospital Universitário Walter Cantídio (UFC).
Magalhães destaca a divisão da condição em hematomas subdurais agudos e crônicos. Os agudos estão diretamente relacionados ao trauma e aparecem nas primeiras 24 a 72 horas, com caráter usualmente mais crítico, incluindo risco de sangramento intracraniano.
Já os hematomas crônicos podem ser notados sete dias depois e apresentam um formato mais insidioso. “Ele vai se formando de modo lento e gradual e naturalmente leva a sintomas mais silenciosos, que podem, de alguma maneira, aparecer ao longo do tempo”, explica.
Fatores de risco
A idade, seja mais avançada, ou muito jovem, é um dos fatores de risco apontados. Além disso, condições hematológicas, como a dificuldade de coagulação, contribuem no desenvolvimento da condição.
Os pacientes que mantêm o uso de medicações antiagregantes, ou anticoagulantes, responsáveis por “afinar o sangue”, também devem prestar atenção. “Esses indivíduos têm maior risco de formação do hematoma subdural e de maior volume do mesmo”, completa o neurologista.
Hematoma subdural: sintomas
Para o hematoma subdural agudo, os sintomas existentes incluem dor de cabeça, algum hematoma subgaleal — o conhecido “galo” na cabeça — e alterações neurológicas associadas, como sonolência e confusão mental. Estes podem evoluir ainda para estupor e coma, além do risco agregado de morte.
“Essa cefaleia, essa dor de cabeça, pode se associar a vômitos e outras alterações neurológicas focais, como fraqueza no corpo, alteração de sensibilidade de um lado e alterações pupilares, ou seja, a dilatação de uma das pupilas”, esclarece Samir Magalhães.
Em caso de um hematoma subdural crônico, o quadro apresenta dores de cabeça e alterações neurológicas focais e cognitivas, como um raciocínio mais lento.
Hematoma subdural: existe tratamento?
O tratamento dependerá da condição clínica do paciente e do volume do hematoma.
Em uma das opções, o médico pode optar por uma “conduta conservadora”, com exames repetidos, de forma a observar a evolução do indivíduo ao longo do tempo. “Se o hematoma vai reduzindo de volume, se vai se resolvendo…”, completa o neurologista ao O POVO.
O tratamento apresenta uma opção cirúrgica, quando o hematoma subdural agudo pode ser drenado, dependendo de seu volume e impacto na estrutura do cérebro.
“O hematoma subdural crônico também pode ser submetido a procedimento cirúrgico, à medida que ele tiver um volume razoável e estiver levando a sintomas neurológicos”, explica.
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