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Saúde
NOTÍCIA

Pesquisa investiga possíveis origens do Sars-Cov-2; vírus não foi criado em laboratório

Na China, o primeiro possível caso confirmado de Covid-10 data de novembro de 2019

Catalina Leite
11:26 | 18/03/2020
Conforme levantamento do governo chinês, pelo menos 266 pessoas já estavam contaminadas em 2019.
Conforme levantamento do governo chinês, pelo menos 266 pessoas já estavam contaminadas em 2019. (Foto: Arquivo)

Uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine analisou a estrutura do Sars-Cov-2, o vírus causador da doença Covid-19, para compreender as possíveis origens do novo coronavírus. A partir do estudo, o grupo de pesquisadores de instituições e universidades estadunidenses, britânicas e australianas definiu duas fortes possibilidades de como o Sars-CoV-2 virou o que é hoje.

De acordo com os cientistas, ou o coronavírus sofreu uma mutação enquanto habitava o animal hospedeiro antes de ser transmitido para humanos, ou sofreu mutações após infectar humanos e enquanto era transmitido entre eles. Compreender esse processo, segundo a pesquisa, é essencial para explicar em parte a infecciosidade e transmissibilidade do Sars-CoV-2.

Uma das possibilidades praticamente descartadas é a de que o vírus tenha sido criado em laboratório. "É improvável que o Sars-CoV-2 tenha surgido através da manipulação laboratorial de um coronavírus semelhante ao Sars-CoV", determinam. A afirmação vem para combater teorias conspiratórias de que o novo coronavírus tenha sido produzido por laboratórios chineses.

Em relação à mutação de humanos para humanos, os pesquisadores sugerem estudar bancos de amostras humanas para identificar como, onde e quando a propagação do Covid-19 começou. O jornal South China Morning Post noticiou que o governo chinês identificou o possível primeiro caso confirmado de Covid-19 no país asiático. Ele data do dia 17 de novembro de 2019, e é um residente de Hubei de 55 anos. No entanto, isso não significa que ele é o paciente zero.

Os casos de coronavírus, no entanto, só começaram a ganhar destaque mundial em dezembro do ano passado. Conforme levantamento da China, pelo menos 266 pessoas já estavam contaminadas em 2019 - todos sob vigilância médica em algum momento.

Entendendo os vírus

Guilherme Henn, presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI), explica a biologia dos vírus:

O que são os vírus?

Vírus são os microrganismos mais simples que existem. Basicamente, são formados por uma cápsula de proteína e outras substâncias que envolve o material genético (DNA ou RNA). 

Do que os vírus dependem para viver?

Obrigatoriamente, os vírus precisam infectar organismos vivos para se reproduzir. Por isso, eles invadem células humanas ou animais e, a partir delas, começam a se reproduzir. Eles conseguem sobreviver por tempo determinado fora de organismos vivos. Por exemplo, o Sars-CoV-2 sobrevive por cinco dias em plásticos.

Como os vírus se reproduzem?

De forma geral, a cápsula dos vírus é composta por proteínas que têm afinidade pelas proteínas da superfície das células dos hospedeiros. Ao invadir as células, os vírus integram o material genético deles com os do hospedeiro, forçando a célula a produzir proteínas dos vírus. "As células viram robozinhos", ilustra Henn.

Dessa maneira, uma única célula invadida acaba por produzir centenas ou milhares de partículas virais - que, por sua vez, vão parasitar outras células humanas. O coronavírus, em específico, usa proteínas das células do pulmão para se reproduzir. É por isso que é uma doença pulmonar.

Os vírus passam por mutações facilmente?

Quanto mais simples o microrganismo, mais facilmente uma mutação que ele sofrer no genoma dele vai passar para as próximas gerações. Como a taxa de replicação dos vírus é extremamente alta, as mutações que favorecem o vírus vão se perpetuando bem mais rápido.

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