Benedita da Silva repudia deputada cearense do PL que rasgou pacto contra o feminicídio
Parlamentar carioca disse que iniciativa nacional é uma proteção para salvar vidas e não uma ideologia; A deputada estadual Dra Silvana (PL-CE) rasgou documento em sessão na Assembleia
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) criticou a atitude da deputada estadual cearense Dra. Silvana (PL) que rasgou, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.
A iniciativa, que tem como objetivo combater a violência contra as mulheres, foi assinada pelos Três Poderes em 4 de fevereiro. Um dia depois, a parlamentar cearense argumentou que rasgou o documento porque "as igrejas e famílias tinham um papel ignorado" no pacto.
Benedita criticou duramente a atitude da colega, ressaltando que "seria fácil rasgar um papel, o difícil seria olhar nos olhos das mães que perderam filhas, ou filhos que perderam suas mães". Benedita também apresentou estatísticas de mortes de mulheres, sinalizando que a maioria dos casos envolvem mulheres negras, pobres e periféricas.
Leia mais
"É importante que essa parlamentar entenda que o pacto contra o feminicídio não é ideologia. O pacto é proteção. É articulação entre governos, justiça e sociedade para salvar vidas (...) Por isso, rasgá-lo não atinge partidos ou instituições, atinge as mulheres que pedem socorro", declarou a petista.
Argumento e contra-argumento
Durante o discurso feito na Assembleia, Silvana enfatizou que é evangélica e alegou que o governo Lula "tenta criar uma queda de braço entre homens e mulheres". Segundo a deputada, a iniciativa do pacto estaria comprometida graças à ausência de grupos religiosos.
Em resposta, Benedita disse ser cristã, relembrou que o Estado é laico e que, em razão disso, "Políticas públicas se constroem com garantia de direitos e mecanismos de proteção, não por meio de imposições religiosas".
Lançamento do Pacto contra o feminicídio
Articulado em torno do lema "Todos Por Todas", o pacto estabelece normas estratégicas para coibir a violência de gênero, com prioridade ao acolhimento das vítimas, o rigor na punição de agressores e a manutenção das garantias fundamentais. Em defesa da aliança, Benedita disse que o pacto é uma "proteção para salvar vidas, e não uma ideologia".
O lançamento da proposta contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
"Nesse sentido, quero parabenizar o presidente Lula e a primeira-dama Janja por idealizarem e apresentarem o Pacto Nacional contra o Feminicídio, pois é uma iniciativa firme que une governos e sociedade para proteger vidas, enfrentar a violência de gênero e garantir dignidade e justiça às mulheres brasileiras", celebrou a deputada petista.
Confira a íntegra da fala de Benedita
"Eu quero repudiar veementemente o ato lamentável protagonizado por uma deputada estadual do Ceará que subiu a tribuna daquela casa de leis e rasgou simbolicamente o Pacto Nacional de Enfrentamento ao feminicídio.
Não podemos jamais confundir o púlpito com o palanque. Rasgar um papel é fácil. Difícil é olhar nos olhos das mães que perderam suas filhas e dos filhos que perderam as suas mães. Difícil é explicar por que, em média, no Brasil, uma mulher é assassinada cada 6 horas. Difícil é ignorar que a maioria dessas vítimas é a mulher negra, pobre e periférica.
É importante que essa parlamentar entenda que o pacto contra o feminicídio não é ideologia. O pacto é proteção. É articulação entre governos, justiça e sociedade para salvar vidas. Nesse sentido, quero parabenizar o presidente Lula e a primeira-dama Janja por idealizarem e apresentarem o Pacto Nacional contra o Feminicídio, pois é uma iniciativa firme que une governos e sociedade para proteger vidas, enfrentar a violência de gênero e garantir dignidade e justiça às mulheres brasileiras.
Por isso, rasgá-lo não atinge partidos ou instituições — atinge as mulheres que pedem socorro. Nós, que defendemos a vida, não vamos rasgar políticas públicas. Vamos fortalecê-las. Vamos cobrar recursos, ampliar delegacias especializadas, casas-abrigo, prevenção e educação. Porque enquanto alguns fazem espetáculo, nós fazemos política pública. Enquanto alguns rasgam papéis, nós estendemos a mão.
Como mulher e evangélica, eu tenho a minha religião, você que está lendo esse texto também tem a sua (ou não), mas é preciso lembrar que o Estado brasileiro é laico e, por isso, política pública se faz com direitos e políticas de proteção e não com imposição religiosa.
O combate ao feminicídio não é bandeira partidária. É compromisso civilizatório. E desse compromisso, nós não abriremos mão!".
Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente