Eduardo Bolsonaro compara prisão do pai com a de Maduro: "Tenho inveja"
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, comparou a prisão de seu pai com a de NIcolás Maduro e diz "ter inveja" das condições de prisão do presidente venezuelano nos EUA
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou vídeo na plataforma social X (antigo Twitter) em que compara a prisão do pai, o ex-presidente brasileiro condenado a 27 anos de prisão, Jair Bolsonaro (PL), com a do presidente afastado da Venezuela, Nicolás Maduro, detido pelas Forças Armadas dos Estados Unidos no início de janeiro.
No vídeo publicado na segunda-feira, 12, Eduardo declara, em inglês ter inveja da situação do venezuelano. Ele diz que o local em que o venezuelano está detido tem um "grande espaço e bom atendimento de saúde", enquanto Jair Bolsonaro, ele aponta, está confinado em um espaço de 30m², com "um barulho intenso do ar-condicionado".
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"Eu tenho inveja do Maduro, porque quando você pensa que algo pode acontecer com Maduro, com certeza ele vai receber assistência médica adequada", afirmou o ex-deputado.
Eduardo alega no vídeo que Bolsonaro não recebeu o devido atendimento médico após cair da cama e bater a cabeça em quarto na Superintendência da Polícia Federal (PF): "E mais do que isso: eu tenho inveja do Maduro, porque se algo acontecer com ele, com certeza, ele receberá o atendimento médico adequado. Meu pai caiu e bateu a cabeça e as pessoas só souberam no dia seguinte quando a porta foi aberta".
Segundo ele, Jair Bolsonaro é "o único prisioneiro do Brasil que precisa de autorização de um ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para ir a um hospital. Os advogados pediram autorização para fazer exames na cabeça e foram negados. Ele recebeu atendimento 20 horas depois do acidente".
Eduardo finalizou o vídeo questionando: "Esse é o tipo de ditadura que estamos vivendo no Brasil. Como chamamos um sistema que faz coisas assim, democracia? Tem certeza? Pense duas vezes".
Preso há dez dias pela unidade de operações especiais dos EUA, Força Delta, Maduro permanece preso em Nova York, assim como a esposa, Cilia Flores.
Queda de Bolsonaro
Em relatório da Polícia Federal divulgado na terça-feira, 6, o ex-presidente Jair Bolsonaro estava "consciente e sem sinais de déficit neurológico" após a queda da cama no dia anterior, dentro da cela onde cumpre pena, na PF.
Ele foi atendido por médicos na própria corporação e diagnosticado com traumatismo craniano leve. Moraes negou a remoção ao hospital no dia do acidente e só autorizou a transferência no dia seguinte, o que provocou críticas de familiares e aliados.
A defesa sustentou que Bolsonaro apresentou tontura e episódios de soluços intensos durante a noite, o que justificaria atendimento médico e avaliação neurológica especializada.
Após autorização de Moraes na quarta-feira, 7, Bolsonaro realizou exames no Hospital DF Star, que divulgou boletim médico informando que os exames de imagem mostraram "leve densificação de partes moles da região frontal e temporal direita, decorrente de trauma", mas sem necessidade de intervenção terapêutica.
A situação levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a instaurar uma sindicância sobre o atendimento, posteriormente anulada pelo ministro, que também determinou que o presidente da entidade prestasse esclarecimentos à Polícia Federal (PF).
Visitas
Bolsonaro recebeu nesta terça-feira, 13, a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Ele chegou à Superintendência por volta das 9 horas para uma visita de 30 minutos, tempo fixado por Moraes. Foi a primeira vez que Flávio esteve com Bolsonaro desde que retornou dos Estados Unidos.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também esteve no local, acompanhada da filha Letícia Firmo, de seu primeiro casamento, e de Laura, filha mais nova do casal. Michelle chegou por volta das 8h50min, mas não falou com a imprensa.
Também nesta terça, o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL-SC), publicou uma carta que enviou ao pai. No texto, pede que Bolsonaro resista e afirma que o processo contra ele não se trata de erros ou de leis, mas de uma tentativa de destruição moral.
"Cada dia que passa, pai, confirma aquilo que sempre soubemos: não é sobre erros, não é sobre leis — é sobre te quebrar moralmente. E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor", escreveu.
Bolsonaro cumpre 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, condenado pela Primeira Turma do STF por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado para se perpetuar no governo.
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