Ex-ministro Aldo Rebelo diz que Bolsonaro é alvo do mesmo processo que afastou Lula em 2018
Ex-presidente da Câmara defende retomada do diálogo sobre IOF e vê judicialização como "caminho sem boas consequências"
O ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo (MDB), que protagonizou embate com o ministro Alexandre de Moraes no início de junho, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é “vítima do mesmo processo que levou ao afastamento do presidente Lula” da eleição presidencial de 2018.
Em entrevista ao O POVO News na sexta-feira, 27, Rebelo também mencionou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), afastada do cargo por meio de processo de impeachment relacionado ao caso das “pedaladas fiscais”.
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“O presidente Jair Bolsonaro é vítima do mesmo processo que levou ao afastamento do presidente Lula das eleições de 2018. Ou que levou ao afastamento da presidente Dilma. Não teve uma pedalada para afastar a presidente Dilma. (...) A pedalada foi um caminho para se afastar a presidente por outras razões: crise econômica, relação com o Congresso, mas não porque ela tivesse cometido um crime”, declarou o ex-ministro.
Ex-deputado federal pelo PCdoB, Rebelo integrou os governos Lula e Dilma, tendo ocupado os cargos de ministro da Defesa (2015–2016), da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015), do Esporte (2011–2015), e da Coordenação Política e Assuntos Institucionais (2004–2005). Também foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007.
Na Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB) em 2024, foi secretário municipal de Relações Internacionais.
"Recorrer ao Supremo não vai ter boas consequências"
Também nesta sexta-feira, 27, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou aguardar uma decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre judicializar ou não a derrubada, pelo Congresso Nacional, do decreto que aumentava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A decisão representa uma derrota para o Executivo, que contava com a medida para equilibrar as contas públicas e aumentar a arrecadação.
Aldo Rebelo, no entanto, discorda da iniciativa. Para ele, acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), independentemente do resultado, trará consequências negativas para o governo.
“O governo tem de enfrentar essa situação sem radicalizar. Não é uma medida que vai trazer boas consequências. Primeiro, se o Supremo não aceitar o recurso do governo, será a segunda derrota sobre a mesma matéria. Se aceitar, vai naturalmente radicalizar os ânimos do Congresso contra o governo”, avaliou Rebelo.
Na Câmara, o projeto que cancela o aumento do IOF foi pautado de última hora pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), e aprovado por 383 votos favoráveis a 98 contrários. De lá, seguiu para o Senado, onde passou por votação simbólica, sem contagem de votos.
Em entrevista à rádio O POVO CBN, ele acrescentou: “O governo não entra em confronto com o chefe do Poder Legislativo. Eu conheço três que entraram em confronto. Quem são? O presidente Collor, a presidente Dilma e agora esse que está cogitando essa possibilidade. Sabemos como terminaram os dois primeiros casos. Você entra em confronto com o Congresso, o confronto é recíproco.”
Segundo Rebelo, o governo ainda pode reverter a crise com articulação política. “Então, eu acho que o governo precisa pensar no que fazer diante dessa derrota. E o principal caminho é retomar o diálogo com o Congresso. Dá tempo ainda? Eu acho que dá, pelo menos para administrar o ocaso do governo”, afirmou.
Embate com Alexandre de Moraes
O ex-ministro voltou ao centro do noticiário no início do mês, após se desentender com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante depoimento em uma ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado.
Na ocasião, Moraes chegou a ameaçar prender Rebelo, que havia dito que a frase do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier — sobre colocar tropas à disposição de Bolsonaro — “não pode ser tomada literalmente”.
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