Rádio Universitária retoma programa sob comando de diretor afastado em 2022

O Rádio Livre havia sido tirado da emissora em maio de 2022, sob protestos da comunidade acadêmica

Retorna nesta segunda-feira, 18, a exibição do programa Rádio Livre, na Rádio Universitária, que faz parte da Universidade Federal do Ceará (UFC). No comando estará o jornalista Nonato Lima, professor do Curso de Jornalismo, que tinha sido retirado da direção da Rádio Universitária após 15 anos no cargo. Na época, o afastamento gerou protesto da comunidade acadêmica, que realizou manifestações e acusou o antigo reitor, Cândido Albuquerque, de censura.

O programa existia há 28 anos, sempre com apresentação do professor, e retorna sendo veiculado de segunda a sexta-feira, ao vivo, sempre das 7h30min às 8h. A reestreia terá a presença de Custódio Almeida, empossado em agosto como reitor da universidade.

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O fim do programa, que veio acompanhado do afastamento do professor da direção, aconteceu em maio de 2022. Houve uma manifestação de professores, alunos e servidores da universidade sob a alegação de que o afastamento do professor seria uma retaliação por não concordar com medidas impostas à programação da emissora por Francisco Paulo Brandão Aragão, presidente da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC), vinculada à gestão da Rádio.

Mudanças na estrutura do programa de debates da emissora e a interrupção da veiculação de músicas ligadas a africanidades estavam entre as mudanças exigidas, conforme o professor. Segundo ele, foi pedida uma alteração na linha editorial do Rádio Livre e a veiculação de matérias que iam contra os princípios do programa, baseado em um jornalismo crítico.

O retorno, para Nonato Lima, é simbólico por abrir um espaço de debates de assuntos políticos de forma crítica e apartidária. “Não é só uma volta do programa, é nesse contexto de retomada democrática do país e da universidade, essas duas coisas andam juntas. Isso, claro, tem a ver com uma luta que um ano atrás foi acompanhada por diversas entidades”, ressaltou.

“Eu disse na época: 'ou o programa é livre ou não é Rádio Livre'. Isso resultou nisso. É muito importante que a gente esteja voltando, a rádio voltando à sua linha democrática e plural no mesmo ritmo da universidade”, afirmou ainda.

Como mostrou O POVO, na época, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (Adufc), o Curso de Jornalismo e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (PPGCOM), bem como o Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), foram algumas das entidades que saíram em defesa do professor.

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