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Médico que denunciou Prevent Senior por "Kit Covid" diz ter sido ameaçado pelo diretor da empresa

O ex-funcionário da operadora de saúde gravou uma ligação em que Batista Júnior pede para ele voltar atrás em depoimentos dados a uma reportagem sobre o "kit Covid". A empresa nega.
11:56 | Set. 22, 2021
Autor Alice Araújo
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Tipo Notícia

Um médico que denunciou a Prevent Senior por prescrever a pacientes medicamentos do chamado “kit Covid” diz ter sido ameaçado e coagido por Pedro Benedito Júnior, ex diretor-executivo da operadora de plano de saúde. O médico gravou a conversa telefônica com Batista Júnior, após ter relatado à imprensa irregularidades da empresa, sob condição de anonimato.

O ex-diretor da Prevent Senior está sendo ouvido nesta quarta-feira, 22, pela CPI da Covid. Seu depoimento à Comissão acontece após as denúncias contra a operadora de plano de saúde sobre uma possível pressão para que os médicos conveniados prescrevessem remédios do chamado “tratamento precoce” contra Covid-19, sem eficácia comprovada.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, um dossiê assinado por 15 médicos afirma que os profissionais eram coagidos a prescrever medicamentos como hidroxicloroquina sem consentimento de parentes dos pacientes, e eram obrigados a trabalhar mesmo se estivessem infectados com o coronavírus. O documento também revela que a teria omitido sete mortes durante um estudo clínico sobre a eficácia dos remédios.

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Um dos médicos que realizou as denúncias contra a operadora de plano de saúde gravou uma ligação com o diretor e relata o “tom de intimidação” usado por Batista Júnior. De acordo com o ex-funcionário, o objetivo do telefonema foi coagi-lo para que ele convencesse um jornalista a voltar atrás em uma reportagem sobre o "kit Covid" e a Prevent Senior. A conversa telefônica se deu no dia 9 de abril deste ano, após o profissional ter dados os depoimentos. No áudio, o diretor-executivo indica que irá prejudicar o médico profissionalmente e menciona que o ex-funcionário iria "expor sua filha, sua família".

Batista Júnior pede ao ex-funcionário para retirar as denúncias feitas à imprensa, contra a Prevent Senior e aponta que o médico "tem muito a perder". Ele diz que o médico "fez a vida" na Prevent. O diretor-executivo também afirma que irá expor prontuários de pacientes tratados pelo profissional, a fim de mostrar quantos foram para a UTI. "E sabe o que eu vou provar? Eu vou provar que você mentiu. Vou provar que você é um cara antiético”, disse na ligação.

O médico chega a questionar quais as denúncias existiam contra ele e qual teriam sido suas ações antiéticas no período de trabalho. Batista Júnior afirma que "agora não interessa mais”. “Agora não é mais problema seu. Agora é um problema do mundo, que você jogou pra cima. Entendeu? E você vai sujar o seu nome", respondeu o então diretor-executivo da operadora de plano de saúde.

Ainda durante a ligação, o médico questiona se estaria recebendo ameaças. Batista Júnior afirma não estar realizando ameaças e fala que o profissional está "tentando desviar a conversa”.

Por fim, o diretor da empresa pede ao médico para “voltar atrás” aos depoimentos feitos à matéria jornalística. “Eu só falei isso nessa ligação: você tem muito a perder, é sua filha, sua família, que vai ser exposta por uma mídia que hoje destrói tudo", concluiu.

Em uma nota, a assessoria da Prevent Senior declarou que "o dr. Pedro Batista Júnior nega qualquer ameaça a colegas". O processo está em andamento no Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) e a operadora de plano de saúde pediu ao conselho que abrisse sindicância "para fins de investigação dos responsáveis pelo compartilhamento indevido de prontuários". Sobre a acusação de que a empresa obrigaria médicos a trabalharem infectados, a Prevent alegou que “a instituição adota um protocolo para afastamento e monitoramento dos colaboradores infectados pela Covid-19, incluindo profissionais da saúde".

O médico prestou boletim de ocorrência contra Batista Júnior, após a ligação. O áudio da conversa e os documentos sobre o caso estão entre os arquivos sigilosos da CPI da Covid e foram obtidos pela Folha de S.Paulo.

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