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Com proteção policial, padre Lino volta a celebrar missa em paróquia de Fortaleza

Pároco da Paróquia da Paz, na Aldeota, padre Lino Allegri foi alvo de ataques de pessoas que frequentam a igreja

Júlia Duarte
13:22 | 25/07/2021
Celebração aconteceu na manhã deste domingo, 25 (Foto: Bárbara Moira)
Celebração aconteceu na manhã deste domingo, 25 (Foto: Bárbara Moira)

Padre Lino Allegri voltou a celebrar missas neste domingo, 25, na Paróquia da Paz, no bairro Aldeota. Ele e o padre Oliveira Braga Rodrigues foram alvo de ataques por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro em Fortaleza e tiveram seus nomes incluídos no Programa de Proteção a Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos. 

A celebração com o pároco foi possível com a presença de viaturas e agentes da Polícia Militar do lado de fora da paróquia. A missa aconteceu de forma tranquila, com um público considerável, dentro dos 60% da capacidade das igrejas, como consta no decreto estadual. Não foi registrado nenhuma tipo de interferência, mas um membro da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) ressaltou que existia uma equipe preparada para alguma ocorrência.  

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Padre Lino conversou com O POVO e afirmou que a missa deste domingo, 25, já estava programa há um mês. "O que aconteceu é um fato lamentável, porque isso não envolve só a gente, envolve a paróquia toda. Eu espero que essa situação de sofrimento possa seguir para que a gente não perder a esperança e a coragem", comentou ele. 

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O padre espera e deseja que a paróquia siga em paz. "E aquele respeito, mesmo nas diversidades de opiniões, que são naturais, mas que mesmo nessas diferenças, saiba encontrar o caminho do entendimento, do diálogo, da fraternidade. Se nós cristãos não sabemos dialogar, o que nós podemos exigir dos outros?", ressaltou ele. 

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"Eu sofro de não comungar na ideologia. A ideologia pode ser diferente, mas na fé, na pessoa de Jesus Cristo, nós não podemos brigar. Não é nem a religião católica, é o modelo de Jesus Cristo. Este deveria ser o elo de união que nós faz celebrar as diferenças", finalizou o padre. 

Entenda o caso 

No começo do mês, no dia 2, o sacerdote foi hostilizado verbalmente por pelo menos oito católicos que invadiram a sacristia. Grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltaram a estar  presentes em peso durante missa celebrada no último domingo, 18, na Paróquia da Paz, no bairro Aldeota. A celebração, iniciada às 8 horas, ocorreu após o padre Lino Allegri ser hostilizado por um grupo de fiéis por manifestar críticas ao chefe do Executivo nacional e lembrar das mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

Dentro do templo, alguns dos presentes usavam camisas com as escritas "Bolsonaro 17". Já outros vestiam camisas da seleção brasileira com as cores da bandeira do Brasil.

Padre Lino chegou a ser afastado de suas funções por meio de decisão do Bispo Auxiliar, Dom Valdemir Vicente. Com a decisão, a missa ficou a cargo do apdre Francisco Sales de Sousa, mas Lino continuou como pároco oficial. Os padres Lino Allegri e Oliveira Braga Rodrigues receberam, na quarta-feira, 21, a confirmação com seus nomes incluídos no Programa de Proteção a Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos. 

Com informações do repórter Vitor Magalhães