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Política
NOTÍCIA

Roberto Dias paga 1,1 mil de fiança e é solto na noite desta quarta-feira

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde foi acusado pelos senadores de mentir aos senadores em relação ao pedido de propina do episõdio na oferta de 400 milhões de doses

23:57 | 07/07/2021
Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Ele foi exonerado do cargo em junho, depois da denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Roberto Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, foi liberado na noite desta quarta-feira, 7, após pagar fiança de R$ 1,1 mil. A informação é do portal G1. Ele estava preso nas dependências da Polícia Legislativa por determinação do presidente da CPI da Covid-19, o senador Omar Aziz (PSD). Dias foi acusado de mentir aos senadores em relação à acusação de pedir propina no episódio da oferta de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca pela empresa americana Davatti.

Ao longo de todo o depoimento, de mais de sete horas, os senadores pressionaram o depoente a falar a verdade sobre encontro ocorrido em um restaurante de Brasília, em 25 de fevereiro, entre ele, o cabo da PM-DF Luiz Paulo Dominguetti, suposto representante da Davati, e o coronel Marcelo Blanco, ex-diretor-substituto de Logística do ministério. Dias afirmou que o encontro foi casual, mas áudios atribuídos a Dominguetti, apresentados na CPI, desmentiram sua versão. “Nós temos outras informações, e estamos aqui apenas checando com o senhor”, advertiu logo no início do depoimento o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

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O senador Marcos Rogério (DEM-RO) acusou a CPI de cometer uma ilegalidade, pois no mesmo momento já estava aberta a ordem do dia da sessão deliberativa do Plenário, o que impede as comissões de funcionar. Pelo mesmo motivo, o líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), pediu que Aziz reconsiderasse a decisão. Os senadores Rogério Carvalho (PT-DF) e Otto Alencar (PSD-BA) lembraram que outros depoentes mentiram perante a comissão e não foram presos. Fabiano Contarato (Rede-ES) ressalvou que é uma "obrigação" a decretação de uma prisão, em caso de flagrante.

“Não aceito que a CPI vire chacota. Nós temos 527 mil mortos e os caras brincando de negociar vacina! Ele está preso por perjúrio, e que a advogada me processe, mas ele vai estar detido agora pelo Brasil”, indignou-se Aziz, que perdeu um irmão pela Covid-19. Ele lembrou também que os outros depoentes estavam munidos de habeas corpus concedidos pelo STF.

No áudio recebido pela CPI, ouve-se Dominguetti afirmando a um interlocutor: "Quem vai assinar é o Dias. Quinta tem uma reunião pra finalizar com o ministério. Nós estamos tentando tirar do OPAS (Organização Panamericana da Saúde) para ir para o Dias direto. Essa conversa que eu estou tendo contigo é em off. O Dias vai ligar para o Cristiano (CEO da Davati no Brasil) e conversar com o Herman (Cardenas, CEO da Davati) ainda hoje (...). Já cientificando a turma que a vacina está à disposição do Brasil. Se o pagamento for via AstraZeneca, melhor ainda".

Pacheco afirma confiança na CPI da Pandemia e não anula prisão determinada por Aziz

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou nesta quarta-feira (7) que tem confiança nas decisões da CPI da Pandemia e não declarou a nulidade da prisão de Roberto Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Apesar dos pedidos de senadores da base do governo, o presidente do Senado não declarou nula a ordem de prisão emitida por Omar.

“Presidindo o Senado dentro das suas muitas atribuições, não estou no dia a dia da CPI. Portanto, rendo aqui a minha confiança, a minha expectativa e o meu desejo de que o caminho dela seja virtuoso. Eu confio no Senador Omar Aziz, confio nos membros da CPI”, declarou Pacheco.

Após a sessão deliberativa, Rodrigo Pacheco detalhou a sua condução do caso, explicando que, como a prisão foi uma decisão direta do presidente da CPI - e não uma deliberação do plenário da comissão — ela não estava sujeita à nulidade regimental. Pacheco também salientou que sua postura é de não interferir sobre os assuntos da CPI. “Não é atribuição da Presidência (do Senado) se imiscuir no mérito dos acontecimentos da CPI. Ela tem uma existência autônoma, tem um presidente que detém a sua autoridade. Não há o que a Presidência do Senado tenha que fazer”, ponderou.

Com informações da Agência Senado