PUBLICIDADE
Política
NOTÍCIA

Médicos cearenses manifestam repúdio à homenagem do Simec para Mayra Pinheiro

Os profissionais denunciam ainda que comentários contrários ao evento estão sendo apagados das redes sociais do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec)

Filipe Pereira
17:51 | 01/07/2021
Mayra Pinheiro teve o sigilo telefônico quebrado pela CPI da Covid (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)
Mayra Pinheiro teve o sigilo telefônico quebrado pela CPI da Covid (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)

Um grupo de médicos e médicas cearenses manifestou repúdio ao anúncio feito nesta quarta-feira, 30, pelo Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), de que a entidade prestará homenagem à médica Mayra Pinheiro, investigada pela CPI da Covid no Senado e pelo Ministério Público Federal, em ação na Justiça Federal do Amazonas.

Em nota, os profissionais da saúde afirmam que a decisão de homenagear Mayra aconteceu por decisão exclusiva da atual diretoria do Sindicato, sem qualquer diálogo com a categoria sobre os nomes escolhidos. Eles denunciam ainda que comentários contrários à homenagem, inclusive postados por médicos filiados ao Simec e que contribuem financeiramente com a entidade, estão sendo apagados das redes sociais do Sindicato.

LEIA MAIS: Quem é Mayra Pinheiro, a médica cearense que virou a "capitã cloroquina" de Bolsonaro

"Médicos e médicas que se manifestam de forma crítica à homenagem estão sendo bloqueados por quem administra as redes sociais da instituição. A atitude configura censura e demonstra o desrespeito da atual diretoria da entidade com os médicos e as médicas", afirma o documento. 

Segundo post do sindicato nas redes sociais, a Comenda Sindical Médica será entregue "aos profissionais da saúde que mais se destacaram em 2020", em solenidade nesta sexta-feira, 2, no auditório da entidade, com transmissão online, mas com presença restrita a homenageados e a integrantes da atual diretoria da entidade.

Após ser acusada de buscar impedir a presença de outros colegas médicos e médicas na sede do Sindicato, a entidade defendeu que se trata de medida de prevenção à Covid-19,. O grupo opositor, entretanto, alega que o argumento não é válido e tem como objetivo afastar membros contrários à medida. "Se não houvesse esse propósito, a solenidade poderia ser aberta à presença de qualquer colega, até um limite coerente de vagas. O Simec não demonstrou o mesmo 'cuidado' em eventos e ocasiões anteriores", diz a nota. 

"Repudiamos a atitude do sindicato em promover esta homenagem, completamente incoerente com a aterradora realidade de nosso País, de mais de 516 mil mortes por Covid-19, inúmeras delas evitáveis, se houvesse seriedade contra a pandemia e respeito à vida, por parte do Governo Federal. Lamentamos e não aceitamos que o nome e a história de 80 anos do Simec sejam utilizadas de forma tão vergonhosa pela atual diretoria", completa o texto. 

Nas redes sociais, o Coletivo Rebento/Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, divulgaram a nota na íntegra: 

A médica Mayra Pinheiro se destacou nacionalmente durante a pandemia por atuar como secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde. À frente do cargo na pasta, ela defendeu o amplo uso de medicamentos sem comprovação científica para a Covid-19, como a ivermectina e a hidroxicloroquina. Os medicamentos formam o chamado "tratamento precoce".

No dia 25 de maio, a pediatra foi chamada para depor na CPI da Covid-19. Na sessão, ela comentou sobre o Tratecov, plataforma do Ministério da Saúde que indicava uso da cloroquina, argumentando que ele foi colocado no ar em decorrência de uma "extração indevida de dados". Conhecida como “Capitã Cloroquina”, ela defendeu o uso do medicamento, sem comprovação científica de eficácia, condicionando-o à avaliação médica sobre a dosimetria e a gravidade da doença em cada paciente.