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Quem é Carlos Wizard, empresário suspeito de participação no suposto "gabinete paralelo" de Bolsonaro

O empresário foi convocado para depor no último dia 17, mas não compareceu; ele está sendo escutado nesta quarta-feira, 30
11:42 | Jun. 30, 2021
Autor Redação O POVO
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O empresário Carlos Wizard, antes convocado como testemunha pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid do Senado, agora faz parte de uma lista com nomes que passaram ao status de investigados pela comissão. Wizard será ouvido nesta quarta-feira, 30, para esclarecer temas relacionados a sua suposta participação no chamado “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na pandemia.

Nascido em Curitiba, Wizard é um dos bilionários que passou a figurar na revista estadunidense Forbes, em 2018. Ele esteve à frente da escola de idiomas que leva seu sobrenome e de pelo menos outras 20 empresas. O empresário comprou diversas empresas de educação e criou o Grupo Multi, vendido para o grupo britânico Pearson, em 2013, por R$ 1,95 bilhão, conforme noticiou o jornal Valor Econômico.

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Posteriormente, Wizard criou a Sforza, uma gestora de investimentos, que detinha o controle de empresas como Pizza Hut, KFC, Mundo Verde, Taco Bell e outras. Porém, em 2019, o empresário vendeu as marcas para o grupo IMC. O patrimônio do empresário é avaliado em cerca de R$ 2,4 bilhões.

Durante a pandemia, Wizard tornou-se um dos principais defensores do uso da cloroquina e de outros medicamentos, que não tinham eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19. Ele também falou contra medidas de isolamento social, devido ao impacto negativo sobre a economia.

O empresário é investigado pela CPI por suspeita de integrar e financiar um suposto “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Bolsonaro no enfrentamento à pandemia. Além de suposto incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada, o grupo teria promovido a tese da “imunidade de rebanho” pela disseminação do vírus. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, disse que o empresário atuou como seu conselheiro informal quando esteve no MS.

Wizard também foi citado pela médica Nise Yamaguchi, outra suposta integrante do gabinete paralelo. Segundo a médica, Wizard participou da criação de um "conselho consultivo independente", sem vínculo oficial com a pasta da Saúde. Wizard solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a possibilidade de ser ouvido por videoconferência, mas o ministro Barroso entendeu que a decisão cabia ao Senado, que optou pelo depoimento presencial. Wizard alegou estar nos EUA desde março e por isso não poderia comparecer.

O empresário foi convocado para depor no último dia 17, mas não compareceu; apesar de ter obtido um habeas corpus para não responder perguntas que criassem provas contra si mesmo. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou duramente Wizard e pediu a condução coercitiva e apreensão de passaporte dele. O pedido foi atendido pela Justiça.

A CPI disse que acionaria a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para localizá-lo, mas seus advogados informaram que Wizard se apresentaria em nova data e horário determinado pelos senadores; no caso esta quarta-feira, 30 de junho.

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