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Política
NOTÍCIA

Wassef recebeu repasses milionários de sócia de empresa que possui contratos com o Governo Federal

O relatório também mostra que Wassef foi "objeto de comunicações de operações suspeitas". Depois descreve que, entre julho de 2015 e junho de 2020, "os créditos no período totalizaram R$ 14 milhões" em duas contas correntes das quais ele é titular

08:47 | 26/08/2020
Advogado Frederick Wassef diz em entrevista à CNN que deixa defesa de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/ CNN)
Advogado Frederick Wassef diz em entrevista à CNN que deixa defesa de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/ CNN)

Frederick Wassef, advogado que começou a atuar na representação da família Bolsonaro no fim de 2018, recebeu repasses de R$ 2,3 milhões, entre dezembro daquele ano a maio de 2020, de Bruna Boner Leo Silva, uma das sócias da Globalweb Outsourcing, empresa que tem contratos com o Governo Federal.

As informações constam de um relatório do Conselho do Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo Globo. O material foi enviado para o Ministério Público Federal (MPF) no Rio, Ministério Público do Rio (MP-RJ) e para a Polícia Federal em 15 de julho.

Bruna é filha de Maria Cristina Boner Leo, ex-mulher do defensor, além de fundadora e presidente do Conselho de Administração da companhia. Além disso, as contas correntes do escritório de advocacia de Wassef também foram abastecidas com R$ 1,04 milhão da empresa Globalweb.

Em junho deste ano, o jornal revelou que o governo federal suspendeu em 15 de março do ano passado uma multa de R$ 27 milhões aplicada a um consórcio de empresas contratado em 2014, mas que não entregou os serviços previstos pela Dataprev, a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência, vinculada ao Ministério da Economia. Entre os membros do consórcio multado está a Globalweb Outsourcing. O portal UOL mostrou ainda que, durante o governo de Jair Bolsonaro, a holding obteve novos contratos em um total de R$ 53 milhões.

Também na gestão de Bolsonaro, a empresa obteve dois aditivos em outro consórcio junto à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação, em um contrato questionado pela Controladoria-Geral da União (CGU) — uma auditoria do órgão apontou prejuízo na ata de preços em que ele estava baseado. Após os aditivos, o valor final do negócio chegou a R$ 37,4 milhões, segundo o Portal da Transparência.

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Relatório do Coaf

O relatório do Coaf também mostra que Wassef foi "objeto de comunicações de operações suspeitas" e depois descreve que, entre julho de 2015 e junho de 2020, "os créditos no período totalizaram R$ 14 milhões" em duas contas correntes das quais ele é titular.

No documento, foi apontado que, ao todo, desde agosto de 2018, Bruna Boner Leo Silva, ex-enteada de Wassef, enviou valores para a conta dele que "totalizaram R$ 3.259.822,47 realizados por meio de 19 transações" até 2020. No período em que já atuava nos bastidores como advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), de 5 de dezembro de 2018 até 11 de fevereiro de 2020, Fred recebeu de Bruna um total de R$ 2.374.688,88. Foram 8 transferências, quase sempre no início do mês, de R$ 109,3 mil e, duas maiores em fevereiro deste ano, de mais R$ 1,5 milhão.

No relatório, o Coaf registra ainda que "os dois créditos com total de R$ 1,5 milhão, realizados nos dias 10 e 11 de fevereiro de 2020, informados acima foram amparados após o recebimento de recursos da Globalweb Outsourcing do Brasil Ltda, empresa da qual Bruna Boner Leo Silva é sócia". Além disso, as contas de Wassef também receberam R$ 360 mil de Maria Cristina Boner. A empresa Maisdoisx Tecnologia em Dobro, que pertence à holding da Globalweb, também fez um pagamento de R$ 1,070 milhão no período que o relatório do Coaf abrange, de 2015 a 2018.

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