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Política
NOTÍCIA

"O MDB parlamentar para mim é frustrante", diz ex-senador Roberto Requião

Ex-parlamentar também comentou votação do Fundeb na Câmara dos Deputados, cenário econômico e operação Lava Jato

12:52 | 22/07/2020
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária para votar a Denúncia 1/2016, que trata do julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por suposto crime de responsabilidade. 

Em discurso, senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (Foto: Geraldo Magela)
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária para votar a Denúncia 1/2016, que trata do julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff por suposto crime de responsabilidade. Em discurso, senador Roberto Requião (PMDB-PR). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (Foto: Geraldo Magela)

Com quase 40 anos de política, o ex-senador e ex-governador do Paraná, Roberto Requião, nome histórico do MDB, falou sobre a votação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), cenário econômico e Operação Lava Jato durante entrevista ao programa Debates do Povo, na rádio O POVO CBN na manhã desta quarta-feira, 22 de julho.

Sobre o Fundeb, aprovado ontem na Câmara por 499 votos a favor e sete contra na primeira votação e 492 favoráveis e seis contrários na segunda, Requião comentou destaque apresentado pelo partido Novo, que tentava acabar com a vinculação de 70% do fundo para o pagamento de professores e que contou com apoio do governo e de alguns parlamentares emedebistas. O ex-governador disse preferir acreditar que aqueles não representam as bases do partido. "O MDB parlamentar para mim é frustante", afirmou.

"O PMDB (atual MDB) é um partido democrata, contra a ditadura. Nós eramos uma frente", pontuou, fazendo um questionamento na sequência: "Deixo uma pergunta para vocês no Ceará. A base do MDB é tão acanalhada quanto a votação no Congresso ou nós ainda temos raízes populares?".

Na economia, Requião criticou o "liberalismo econômico suicida" que o Brasil vive hoje e o classificou como de "má fé, mas é fundamentalmente um erro". Sobre Guedes e a reforma tributária, o ex-parlamentar afirmou que a proposta desonera bancos e tributa os mais pobres. "O que você poderia esperar do Paulo Guedes? Ele não é economista, é financista a serviço do capital".

A respeito da Lava Jato, Requião falou sobre a forma como a operação vem sendo conduzida. "É óbvio que a Lava Jato atingiu muito corrupto, mas no processo atacou muitos nacionalistas. Eles utilizaram a justificativa do combate à corrupção para vender o pré-sal, a Eletrobras, etc. Eles fizeram e continuam fazendo isso em favor dos interesses econômicos dos EUA", disse.

O ex-senador classificou operações recentes contra medalhões da política como Alckmin e Serra como "tentativa de descaracterizar a Lava Jato".