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Política
NOTÍCIA

Quatro cearenses formam núcleo do "Gabinete do Ódio", diz jornal

Jovens nascidos em Fortaleza e Caucaia teriam sido recrutados, segundo O Globo, por Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro

12:32 | 14/06/2020
 Carlos Bolsonaro disse que transformação desejada não será por via democrática (Foto: Dida Sampaio/AE)
 Carlos Bolsonaro disse que transformação desejada não será por via democrática (Foto: Dida Sampaio/AE)

Um grupo de jovens cearenses foi recrutado pelo vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) para integrar o que já é chamado de "Gabinete do Ódio". Sob a batuta do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), esse núcleo locado no terceiro andar do Palácio do Planalto é considerado o responsável por ataques virtuais a adversários do presidente. É esse grupo, também, um dos principais alvos do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal.

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Segundo matéria publicada neste domingo no jornal O Globo, José Mateus Sales Gomes, nascido em Caucaia, teria sido o primeiro recrutado por Carlos Bolsonaro. Em abril de 2013, o filho do presidente publicou nas redes sociais a postagem “Tô passando mal de rir com a page ‘Bolsonaro Zuero’”. A referida página no Facebook era criada e administrada por José Mateus, que na época tinha 21 anos.

Além dele, Matheus Matos Diniz, engenheiro elétrico e aluno de Olavo de Carvalho em 2015 quando fez intercâmbio nos Estados Unidos, seria outro cearense que integra o grupo. Nascido em Fortaleza, ele conheceu Carlos Bolsonaro em 2017.

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A matéria cita ainda a atuação de Guiherme Julian Freire e José Hemrique Cardoso Rocha. O primeiro, nascido em Caucaia e formado em Administração, era um dos líderes do grupo "Endireita Fortaleza e amigo pessoal de "Mateus Zuero".

O segundo trabalhou em São Paulo como fotógrafo e webdesigner. Antes, morou em Caucaia, onde se tornou amigo de Julian e de Mateus.

A reportagem do O Globo cita ainda as atuações do paraibano Tércio Arnaud Thomaz e de Carlos Eduardo Guimarães no "Gabinete do Ódio".

Os seis mencionados como integrantes do "Gabinete do Ódio" receberiam salários que variam entre R$ 6 mil e R$ 15 mil.

Inquérito Fake News

Antes aliado próximo ao bolsonarismo, o deputado federal Heitor Freire (PSL-CE) prestou depoimento ao STF no inquérito das fake news e relatou como funciona o chamado "Gabinete do Ódio". No depoimento, Freire apresentou documentos principalmente relacionados ao Ceará e cita ramificação em outros estados do grupo que tem núcleo central em Brasília.

O parlamentar cearense foi um dos três deputados ouvidos pelo Supremo – os demais foram Alexandre Frota e Joice Hasselmann, ambos ex-bolsonaristas.

 

Abaixo, o trecho do depoimento de Heitor Freire ao Supremo.

Deputado Heitor Freire (fls. 5848-5850):

É do conhecimento do depoente que Matheus Sales, Mateus Matos Diniz e Tercio Arnaud Tomaz, todos assessores especiais da Presidência da República, são os integrantes principais do chamado “Gabinete do Ódio”, que se especializou em produzir e distribuir Fake News contra diversas autoridades, personalidades e até integrantes do Supremo Tribunal Federal. Esse “gabinete” coordena nacional e regionalmente a propagação dessas mensagens falsas ou agressivas, contando para isso com a atuação interligada de uma grande quantidade de páginas nas redes sociais, que replicam quase instantaneamente as mensagens de interesse do “gabinete”. Essa organização conta com vários colaboradores nos diferentes Estados, a grande maioria sendo assessores de parlamentares federais e estaduais.

(...)

Esses assessores parlamentares administram diversas páginas nas redes sociais, incluindo grupos de Whatsapp, e por meio dessas páginas divulgam postagens ofensivas, quase sempre orientados pelo aludido grupo de assessores da Presidência.

(...)

Dentre esses ataques coordenados, o depoente salienta a postagem quase simultânea em diversas páginas do Facebook de um vídeo ofensivo ao Supremo Tribunal Federal, comparando-o a uma hiena que deveria ser fustigada por leões.

(...)

Esse esquema é repetido em diversos outros Estados, podendo o depoente referir-se expressamente a Paraíba, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul. Possivelmente essas filiais existam em todos os estados.

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