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Política
NOTÍCIA

General Mourão sobre paralisação da PM: "se a política entra pela porta da frente de um quartel, disciplina e hierarquia saem pela porta dos fundos"

Mourão demonstra preocupação com o motim da PM cearense, que chega no 13º dia, este domingo, receando movimento similar em outros estados

Lucas Braga
10:40 | 01/03/2020
VICE-PRESIDENTE, general da reserva Hamilton Mourão
VICE-PRESIDENTE, general da reserva Hamilton Mourão (Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil)

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, comentou a gravidade da paralisação dos policiais militares no Ceará. Demonstrou receio sobre movimentos similares em outros estados e declarou que as polícias estão politizadas e sindicalizadas desde "governos anteriores". A fala aconteceu em evento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), neste sábado, 29.

"A partir do momento que uma instituição que se diz militar tem associações de cabos e soldados, de capitães e de oficiais superiores, a coisa fica complicada. Eu fico imaginando isso dentro do Exército. Teríamos a associação dos generais, que seria poderosíssima, né!?", compara o vice-presidente.

Mourão demonstra preocupação com o motim da PM cearense, que chega no 13º dia, este domingo, 1º. "Cada vez que se envereda por esses caminhos em instituição militar é complicado. Uma coisa é muito clara: se a política entra pela porta da frente de um quartel, a disciplina e hierarquia saem pela porta dos fundos", completou.

Tentativas de negociação

A comissão encarregada de discutir saídas para o encerramento da paralisação dos policiais militares se reúne novamente neste domingo, na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE).

Formado por representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, o grupo se encontrou no fim da noite deste sábado, 29, para debater os termos de um acordo esboçado com mediação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) e Defensoria Pública.

Participaram da rodada de negociação o procurador-geral do Estado, Juvêncio Vasconcelos; o presidente da OAB-CE, Erinaldo Dantas; a defensora-geral, Elizabeth Chagas; e o deputado estadual Evandro Leitão (PDT), designado como membro do Parlamento para compor o colegiado.

O documento que subsidiou os debates foi redigido no 18º Batalhão da PM durante toda a tarde de ontem. Ficou pronto após horas de debate com os policiais. Dividida em oito cláusulas, a minuta da proposta de acordo entre soldados e Governo do Estado tem o aval do comando da paralisação dos militares, da OAB e da Defensoria.

O POVO apurou que o ponto que se relaciona às punições dos agentes acabou emperrando as conversas, que serão retomadas neste domingo com a presença de interlocutores dos policiais. Entre eles, o vereador Sargento Reginauro (Pros).

Dentro do Palácio da Abolição, a determinação é de vetar qualquer item no texto que possa ser interpretado publicamente como uma anistia. O pedido de um abrandamento de sanções continua entre os principais tópicos da pauta dos PMs.

Nesse sábado, a Assembleia aprovou regime de urgência para tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que barra qualquer possibilidade de conceder anistia aos policiais que tenham aderido a um movimento para suspender os trabalhos.

Hoje, completam-se 13 dias desde que os militares tomaram batalhões na Capital e Interior. É a paralisação mais duradoura de PMs no Ceará. Em 2012, os policiais interromperam as atividades por seis dias.