Vírus Nipah pode chegar ao Brasil? Veja o que se sabe sobre o caso
Índia tem cinco casos confirmados do patógeno e mais de 100 estão sob investigação; morcego de fruta, principal transmissor do vírus, não existe no Brasil
21:54 | Jan. 30, 2026
Uma nova onde de casos do vírus Nipah, causador de infecções respiratórias graves e encefalite, tem preocupado autoridades de saúde e a população geral nos países do continente Asiático. O surto, originado no estado indiano de Bengala Ocidental, já teve cinco casos confirmados e mais de 100 pessoas colocadas em quarentena conforme publicado pela Agência Brasil.
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As cinco pessoas infectadas são profissionais de saúde, que tiveram contato com o vírus dentro de seu local de trabalho. A principal hipótese levantada até o momento é de que essas pessoas atenderam um paciente que além do vírus, portava outra doença não tão grave, e por isso, não tomaram as devidas precauções.
Uma das maneiras de transmissão do vírus é justamente essa, a transmissão respiratória, de forma similar à Covid-19. Entretanto, o Nipah tem potencial de transmissão muito menor que o do Sars-Cov-2 e pode ser mais facilmente controlado.
"Ele é relativamente mais fácil de ser contido, mas a gente não pode deixar de ficar preocupado porque a taxa letalidade nos casos graves é muito alta, então a gente precisa tomar cuidado para que a doença não espalhe", explica o infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Benedito Fonseca, em entrevista ao O POVO NEWS.
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Os sintomas iniciais do vírus são comuns, como febre, dores de cabeça, de garganta e musculares, além de vômitos. Casos mais avançados podem causar tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência e
sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Ainda não há vacina para o agente.
Outra forma de transmissão do vírus, entretanto, é o contato direto com morcegos ou a saliva deles. Segundo Fonseca, os portadores do vírus são os morrcegos frugíveros, que depositam sua saliva em frutas, posteriormente consumidas por humanos e sem a devida higienização.
"Algumas vezes mesmo que ele coma uma fruta a saliva cai numa outra fruta e essa fruta é pega por uma outra pessoa. Se essa pessoa não lava bem essa fruta ela pode ingerir o vírus e ficar doente", pontua Fonseca.
Morcego transmissor do vírus não existe no Brasil
Em publicação feita na manhã desta sexta-feira, 30, o Ministério da Saúde (MS) destacou que não há nenhuma evidência de disseminação internacional do Nipah ou risco para a população brasileira.
Isso porque os morcegos frugíforos não existem no Brasil, com maior incidência na Ásia e Austrália. O risco de uma pandemia causada pelo vírus Nipah é considerado baixo, segundo avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.
A pasta também reforçou manter protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).
"Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais", conclui nota publicada pelo MS.
Fonseca reforça a possibilidade remota de chegada do vírus ao Brasil, e pontua que em uma eventual descoberta de Nipah em território nacional, há medidas simples que podem ser tomadas para conter a disseminação de forma imediata.
"A primeira coisa que a gente tem que fazer é a contenção da transmissão. Tem que colocar essa pessoa em isolamento, colocar todos os seus contatos em quarentena para que a doença não espalhe", conclui o infectologista.
Este não é o primeiro surto do vírus Nipah
O atual pico de disseminação do Nipah na Índia não é o primeiro a ser registrado. A primeira epidemia de Nipah foi registrada em 1998 depois que o vírus se espalhou entre criações de suínos na Malásia. O nome do vírus, inclusive, é herdado do povoado onde ele foi encontrado inicialmente.
O registro seguinte foi em Bangladesh, em 2001, e desde então, surtos pontuais têm sido registrados com frequência no continente. Os últimos casos são datados em 2023.
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