Fotógrafo René Robert morre de hipotermia após ficar 9h caído em rua de Paris
O suíço morreu tragicamente aos 85 anos. Antes de ser levado ao hospital, onde foi diagnosticado com traumatismo craniano e hipotermia, o fotógrafo René Robert havia passado a noite caído em um rua de Paris
O renomado fotógrafo suíço René Robert, famoso por registrar dançarinos e músicos flamencos durante a realização de seus ofícios, morreu tragicamente no último dia 20 de janeiro, na França. Depois de cinco décadas de trabalho, o artista, aos 85 anos de idade, em decorrência de uma doença, passou mal na movimentada rua Turbigo, no centro de Paris, onde ficou durante toda a madrugada do dia 19 paro o dia 20, ao relento e a 3ºC sem que fosse resgatado. As informações são do jornal Le Monde.
Após nove horas, o homem foi socorrido por bombeiros acionados por sem-teto por volta das 6h30 da manhã e levado ao hospital Cochin, onde foi diagnosticado com traumatismo craniano, após cair inconsciente na rua, e com hipotermia. O fotógrafo veio a óbito no mesmo dia.
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Segundo o jornalista Michel Mompontet, que também era amigo de René, o artista foi "assassinado pela indiferença" em face da sua morte solitária em uma importante via parisiense, sem que alguém prestasse socorro. "Este fim de vida trágico e repugnante nos ensina algo sobre nós mesmos", afirmou o jornalista em publicação no Twitter.
René Robert nasceu na Suiça, em Friburgo, no dia 4 de março de 1936. Este ano faria 86 anos. O artista se formou em fotografia na cidade de Lausanne, onde iniciou sua carreira de repórter. Na década de 1960, mudou-se para Paris e começou a trabalhar com moda, publicidade e educação. Mas foi em 1966, no tablao Catalán (local onde acontecem espetáculos de flamenco), que ele se apaixonou pela dança e música espanhola quando viu dançar Manolo Maríne e Nieves la Pimienta.
Em 2015, durante o Festival Flamenco de Nîmes, conforme texto publicado em exposição de sua trajetória artística, o fotógrafo declarou que fora educado para não mostrar sentimentos em público, mas que a dança e a música flamenca transformaram isso. "Eu fui cativado pela força, a coragem, a expressiva falta de embaraço desses artistas, sua maneira de trazer à mesa tragédia, dor, sofrimento, mas também vitalidade alegre, rítmica, atrevida e sensual", externalizou.