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China anuncia caso de gripe aviária em um homem: o que sabemos sobre o vírus?

Outros casos da doença já foram relatados pelo mundo
14:29 | Jun. 01, 2021
Autor Levi Aguiar
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Tipo Notícia

Entre 2003 e 2019, houve registros de um total de 861 casos confirmados de gripe aviária (H5N1) em humanos em todo o mundo. Conforme os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS), destes, 455 morreram.

O H5N1 normalmente não infecta outras espécies além de aves e pássaros, mas recentemente houve um alerta por parte das autoridades da saúde chinesa quando anunciaram, nesta terça-feira, 1, o primeiro caso no mundo de gripe aviária H10N3 (nova cepa do vírus) em humanos.

Em nota, a Comissão Nacional de Saúde da China assegura que até agora nunca houve contágio humano deste vírus, que se trata de uma transmissão "acidental" e que o risco de propagação em larga escala é muito baixo.

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No entanto, a gripe aviária ou Influenza A causa preocupação especial, pois rapidamente sofre mutações e tem propensões para infectar outras espécies de animais, apesar de as infecções humanas com a cepa H5N1 não serem frequentes.

O que mais chama a atenção é a possibilidade de o vírus ser transmitido de aves para o homem, pois a taxa de letalidade é muito alta. Mais de 50% das pessoas que pegaram a gripe aviária morreram, conforme o portal do doutor Dráuzio Varella, em entrevista com Esper Kallas, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP.

Cientistas e pesquisadores ao redor do mundo mapearam a primeira infecção do vírus da gripe aviária, transmitida para os seres humanos a partir do ano de 1997, em Hong Kong. Desde então a humanidade registra casos de transmissão e mutações do vírus em seres humanos. 

Também neste ano de 2021, a Rússia anunciou o primeiro caso de transmissão da cepa H5N8 da gripe aviária para seres humanos e já informaram a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na época, a diretora da agência sanitária russa disse que as sete pessoas contaminadas em uma granja de aves estavam bem e que o vírus é altamente contagioso entre as aves, mas nunca havia sido relatada sua transmissão para humanos.

Algo semelhante aconteceu no sudeste da Ásia. Nas Filipinas houve registros de casos de gripe aviária em uma fazenda de codornas, dessa vez a H5N6. Logo depois do registro, 1.500 das 15 mil codornas morrerem na fazenda pela doença e o resto foi abatido para conter a propagação da gripe aviária, que pode afetar seres humanos por secreções respiratórias ou materiais fecais.

Essa medida de abate é comum para tentar frear a transmissão do vírus entre outros animais da mesma espécie e entre aves e humanos. Além das Filipinas, na China, uma província central de Wuhan registrou um surto de gripe aviária (H5N1), e mais de 17 mil aves foram abatidas próximo à cidade, que foi o primeiro epicentro do coronavírus. O Japão, em 2017, também sacrificou quase 300 mil animais para conter gripe aviária.

De acordo com com o Instituto de Pesquisa Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e OMS, os sacrifícios de aves infectadas ou expostas servem de medida de controle da doença, além do descarte adequado das carcaças, quarentena e desinfecção rigorosa das granjas, restrições ao transporte de aves domésticas vivas, tanto no próprio país como entre países.

 

Com informações da Fiocruz

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