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Justiça britânica nega extradição de Julian Assange aos Estados Unidos

Decisão de tribunal em Londres alega preocupações com a saúde mental do fundador do WikiLeaks

12:59 | 04/01/2021
Assange ficou refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, até ser preso em abril de 2019 no local. (Foto: Reprodução de Video)
Assange ficou refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, até ser preso em abril de 2019 no local. (Foto: Reprodução de Video)

A Justiça do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira, 4, que não autorizará a extradição de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, para os Estados Unidos. O ativista australiano é acusado no país americano por espionagem e pela publicação de documentos militares sigilosos.

De acordo com a juíza Vanessa Baraitser, a recusa do pedido se baseia em questões envolvendo a saúde mental de Assange. O tribunal teme que o australiano de 49 anos cometa suicídio e alega que o réu já mostrou evidências de sua automutilação e pensamentos suicidas. "A impressão geral é de um homem deprimido e às vezes desesperado, temeroso por seu futuro", afirma, em publicação da BBC.

"Confrontada com as condições de isolamento quase total sem os fatores de proteção que limitaram seu risco no HMP Belmarsh (prisão de segurança máxima em Londres), estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o Sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio e por esta razão decidi que a extradição seria opressiva por motivo de dano mental e ordeno seu arquivamento", complementa Baraitser.

Washington tem prazo de até 14 dias após a decisão judicial para recorrer. O representante legal do governo americano já confirmou que apresentará recurso. A defesa solicitou a liberdade de Assange sob fiança, e o pedido será julgado na quarta-feira, 6. Caso venha a ser julgado nos tribunais estadunidenses, o ativista pode ser condenado a 175 anos de prisão, por 17 acusações de espionagem e uma acusação de uso indevido de computador.

Caso WikiLeaks

As disputas judiciais envolvendo Julian Assange e o governo dos Estados Unidos datam de 2010, quando o site WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais do país. Os arquivos contavam com registros de tortura e abusos, incluindo vídeo que mostrava helicópteros de combate americanos atirando contra civis no Iraque em 2007. O incidente vitimou diversas pessoas em Bagdá, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Os Estados Unidos afirmam que o ativista colocou as vidas dos informantes norte-americanos em perigo com a publicação dos documentos secretos sobre as ações militares no Iraque e no Afeganistão. Já a defesa de Assange apresenta como um dos principais argumentos o direito às proteções garantidas pela Primeira Emenda da Constituição do país em relação à liberdade de expressão, alegando que o australiano estava exercendo jornalismo.

Assange ficou refugiado por sete anos na embaixada do Equador em Londres, até ser preso em abril de 2019 no local.

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