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Combates prosseguem em Karabakh e preocupação aumenta com civis

O ministério das Relações Exteriores dos separatistas de Karabakh anunciou que sua capital, Stepanakert, com 50.000 habitantes, foi alvo de "intensos lançamentos de foguetes" durante a manhã

09:39 | 05/10/2020

Pessoal de emergência trabalha em uma área danificada da cidade de Ganja após um lançamento de foguete supostamente armênio em 4 de outubro de 2020, durante o conflito em curso entre a Armênia e o Azerbaijão pela região separatista de Nagorno-Karabakh (Foto: AFP)
Pessoal de emergência trabalha em uma área danificada da cidade de Ganja após um lançamento de foguete supostamente armênio em 4 de outubro de 2020, durante o conflito em curso entre a Armênia e o Azerbaijão pela região separatista de Nagorno-Karabakh (Foto: AFP)

Os confrontos entre as forças separatistas armênias de Nagorno Karabakh e o exército azerbaijano continuavam nesta segunda-feira, 5, sem trégua, depois de um dia marcado pelo bombardeio de zonas urbanas, ataques que provocaram vítimas civis.

 

O ministério das Relações Exteriores dos separatistas de Karabakh anunciou que sua capital, Stepanakert, com 50.000 habitantes, foi alvo de "intensos lançamentos de foguetes" durante a manhã.

 

No domingo, nos dois lados, os disparos de artilharia atingiram cidades de Nagorno Karabakh (Stepanakert e a vizinha Shusha) e também do Azerbaijão, principalmente Ganja - a segunda maior cidade do país, que fica a 60 quilômetros da linha de frente - e Beylagan.

 

E de acordo com Baku, os ataques nas zonas urbanas do Azerbaijão foram retomados nesta segunda-feira.

 

"As Forças Armadas armênias estão atacando com mísseis e foguetes as zonas densamente habitadas de Ganja, Barda, Beylagan e outras cidades do Azerbaijão. Barbárie e vandalismo", denunciou no Twitter o assessor presidencial do Azerbaijão, Hikmet Hajiyev.

 

De acordo com os balanços oficiais, os bombardeios, principalmente com foguetes, mataram quatro pessoas na autoproclamada república de Nagorno Karabakh e cinco no Azerbaijão. Também há relatos de muitos feridos.

 

Como acontece desde o reinício do conflito, em 27 de setembro, os beligerantes voltaram a trocar acusações sobre ataques deliberados contra civis e divulgaram imagens de casas destruídas ou de mísseis que não explodiram.

 

Diante da violência dos bombardeios em zonas habitadas, o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, expressou no domingo a seu colega armênio a preocupação com "o aumento do número de vítimas entre a população civil" e reiterou o apelo de seu país, a principal potência regional, por "um cessar-fogo o mais rápido possível".

 

 

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também condenou os "bombardeios indiscriminados".

 

Centenas de casas e infraestruturas importantes como hospitais e escolas foram destruídas ou danificadas, de acordo com o CICV.

 

No nono dia de combates, os separatistas, apoiados política e militarmente pela Armênia, e os azerbaijanos não demonstram qualquer sinal de que pretendem atender os apelos de trégua da comunidade internacional.

 

A região de Nagorno Karabakh, habitada principalmente por armênios, anunciou a secessão do Azerbaijão após o colapso da União Soviética, o que provocou uma guerra no início dos anos 1990 que matou 30.000 pessoas.

 

O front permaneceu virtualmente congelado desde então, apesar dos confrontos frequentes.

 

As duas partes atribuem ao outro lado a responsabilidade pela retomada das hostilidades, uma das crises mais graves desde o cessar-fogo de 1994, o que provoca o temor de uma guerra aberta entre estos dois países da ex-União Soviética.

 

Em um discurso no domingo, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse que a ofensiva continuará até que o oponente abandone "nossos territórios" e até que o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, "peça desculpas e proclame que Karabakh não é Armênia".

 

 

O Azerbaijão reivindica vários êxitos militares no campo de batalha, incluindo a tomada de várias cidades e vilarejos.

 

Mas a Armênia rejeita as afirmações e também repete sua determinação.

 

"Ao fracassar no campo de batalha, o lado azerbaijano proclama vitórias imaginárias e divulga 'fake news' sobre os bombardeios armênios em zonas habitadas do Azerbaijão", afirmou o ministério das Relações Exteriores da Armênia.

 

O balanço - ainda muito parcial, já que o Azerbaijão não divulga baixas militares - registra 245 vítimas fatais: 202 combatentes separatistas, 18 civis de Karabakh e 25 civis azerbaijanos.

 

Mas cada lado afirma que matou entre 2.000 e 3.000 soldados inimigos.

 

A escalada do conflito pode ter consequências imprevisíveis porque há várias potências com interesses na região: Rússia, o árbitro regional tradicional, Turquia, aliada do Azerbaijão, e Irã.