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Após punição, Rei da Tailândia restabelece títulos de sua amante oficial

16:28 | 02/09/2020
O rei da Tailândia restabeleceu sua "amante oficial" no cargo, quase um ano depois de ela ser destituída de seus títulos em uma dramática novela que durou seis meses.
O rei Vajiralongkorn devolveu a posição e os títulos de Sineenat Wongvajirapakdi na quarta-feira, 02, anunciou o Royal Gazette.
Sineenat foi destituída de seu posto em outubro de 2019, poucos meses depois de ser nomeada companheira do rei.
O rei da Tailândia retirou o título, privilégios e posto militar de sua amante oficial depois de ela se mostrar "desleal" e rivalizar com a rainha Suthida, informou o palácio real tailandês na ocasião.
Apontada "consorte real" no fim de julho - a primeira unção desse tipo no país em quase um século -, numa cerimônia que chamou a atenção para a vida extravagante e blindada do rei da Tailândia, Sineenat, de 34 anos, violou as normas de conduta de cortesãs por ser "ingrata" e "ambiciosa", e por isso caiu em desgraça, diz o comunicado do palácio.
"A nobre consorte real Sineenat é ingrata e se comporta de maneiras não compatíveis com seu título. Ela também não está satisfeita com o título que lhe foi dado, fazendo de tudo para subir ao nível da rainha", destacou a nota na ocasião.
O rei Vajiralongkorn, de 67 anos, foi coroado soberano constitucional da Tailândia em maio último, adotando o nome real de Rama X. A coroação aconteceu cerca de três anos depois de ele sentar pela primeira vez no trono após a morte de seu pai, Bhumibol, que reinou por 70 anos, em 2016. Dias antes da cerimônia de sua coroação, Rama X se casou com sua guarda-costas pessoal, Suthida Tidjai, 41 anos, dando a ela o título de rainha Suthida Bajrasudhabimalalakshana.
Até Sineenat ser ungida em julho, o título de consorte real não era usado na Tailândia desde o fim da monarquia absolutista no país, em 1932. No mês seguinte à unção, o palácio real divulgou uma série de fotos da amante oficial do rei, assim como dados biográficos. Em algumas das imagens Sineenat aparecia de forma convencional, sentada aos pés do rei com tradicionais vestidos tailandeses, mas em outras era mostrada como uma mulher ousada, no comando de um jato de guerra ou pilotando um avião. Tanto as fotos quanto a página com sua biografia foram removidas do site.
A última decisão do rei significa que "Sineenat Wongvajirapakdi não está manchada", anunciou o Royal Gazette. "Doravante, será como se ela nunca tivesse sido destituída de suas patentes militares ou condecorações reais."
Nascida em 1985, ela é do norte da Tailândia e trabalhou como enfermeira antes de iniciar um relacionamento com o então príncipe herdeiro Vajiralongkorn.
Ela acabou se tornando guarda-costas, piloto e paraquedista, e se juntou aos guardas reais. No início de 2019, ela foi nomeada major-general.
A verdadeira causa de sua remoção - e sua posterior reintegração - como consorte real pode nunca se tornar pública, dado o sigilo que envolve os assuntos do palácio na Tailândia.
Uma lei no país proíbe qualquer crítica à monarquia, com pesadas sentenças de prisão para os infratores.
A remoção de Sineenat em 2019 ecoou o caso de duas ex-esposas do rei. Em 1996, ele denunciou sua segunda esposa, que fugiu para os Estados Unidos, e renegou quatro filhos que tinha com ela.
Em 2014, sua terceira esposa Srirasmi Suwadee foi igualmente destituída de todos os seus títulos e banida da corte real. Seu filho de 14 anos foi criado pelo rei Vajiralongkorn na Alemanha e na Suíça. O rei, que agora passa a maior parte do tempo na Alemanha, tem sete filhos no total.
A rainha Suthida, uma ex-comissária de bordo da Thai Airways, tinha sido vista com ele em público por muitos anos, embora seu relacionamento nunca tivesse sido oficialmente reconhecido antes de ele se casar com ela.
Mesmo depois do casamento, sua consorte Sineenat era uma convidada regular em eventos reais até sua queda.
O anúncio do palácio na quarta-feira ocorre em meio a protestos antigovernamentais na Tailândia, onde os militares consolidaram seu domínio político após um golpe em 2014. Os protestos incluem demandas para restringir os poderes recentemente ampliados do rei e apelos sem precedentes para reformar a monarquia.
Os manifestantes também protestam contra a decisão do rei de declarar a riqueza da Coroa como sua propriedade pessoal, tornando-o de longe a pessoa mais rica da Tailândia.
Também houve dúvidas sobre a decisão do rei Vajiralongkorn de assumir o comando pessoal de todas as unidades militares baseadas em Bangcoc - uma concentração de poder militar em mãos reais sem precedentes na Tailândia moderna.