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Após 13 anos sem explicações, desaparecimento de Madeleine McCann pode finalmente ser resolvido; relembre o caso

Entre apelos de famosos e suspeitas de envolvimento dos pais, a polícia de dois países de dividem na esperança de encontrar a menina com vida

13:05 | 04/06/2020
Entre os suspeitos, estiveram os pais de Maddie, após vestígio biológicos terem sido encontrados no carro alugado pela casal (Foto: AFP)
Entre os suspeitos, estiveram os pais de Maddie, após vestígio biológicos terem sido encontrados no carro alugado pela casal (Foto: AFP)

Férias em Portugal, em um longe 3 de maio de 2007, até hoje comovem e são fonte de curiosidade para muitos que acompanham a história da jovem Madeleine McCann. Com o anúncio de um novo suspeito, detido na Alemanha, o caso parece chegar a um fim e, segundo os promotores alemães, pode não ser como em filmes, em que a criança é achada. A polícia presume que a criança já esteja morta. Relembre o caso e os marcos da investigação.

Aos três anos, a pequena britânica, que hoje teria, ou ainda tem, 16 anos, sumiu de uma praia enquanto passava férias com os pais e seus dois irmãos, gêmeos de dois anos, em Portugal. A Praia da Luz, muito famosa por reunir turistas, foi chocada quando ela sumiu de dentro do quarto, enquanto os pais Kate e Gerry McCann foram jantar com amigos em um restaurante do hotel.

Eles afirmam que foram ao quarto vera s crianças uma hora antes de darem conta do sumiço. Às 22 horas, a mãe verifica que a menina havia sumido sem deixar rastos. A partir dai, começou uma comoção internacional e uma caçada a qualquer um que pudesse ter levado a menina. Entre apelos dos pais e de pessoas famosas, como David Beckham, centenas de pessoas foram ouvidas. Funcionários do hotel, fraquentadores dos locais ao redor, e os pais de Meddie, como era também chamada. A polícia chegou a usar cães farejadores, que apontaram que ela esteve no apartamento antes de ser levada.

Quando a menina desapareceu, houve comoção mundial para que fosse encontrada
Quando a menina desapareceu, houve comoção mundial para que fosse encontrada (Foto: AFP)

O primeiro suspeito

O anglo-português Robert Murat foi considerado suspeito dias após o sumiço da menina. Ele, que morava perto do local, foi preso e teve a casa revistada. Depois de ser interrogado e por falta de provas, foi liberado. Quatorze meses depois foi oficialmente descartada alguma participação dele no crime.

Os pais na mira da investigação

Vestígios biológicos de Madeleine em objetos pessoais e no carro alugado pela família levou os investigadores a suspeitarem dos pais da criança, Kate e Gerry McCann. A própria imprensa britânica começou a publicar sobre a possibilidade dos pais terem ocultado o corpo da garota. A suspeita seria um homicídio por negligência ou por excesso de medicamentos.

Entre os suspeitos, estiveram os pais de Maddie, após vestígio biológicos terem sido encontrados no carro alugado pela casal
Entre os suspeitos, estiveram os pais de Maddie, após vestígio biológicos terem sido encontrados no carro alugado pela casal (Foto: AFP)

Entretanto, o casal deixou de ser suspeito da justiça portuguesa em 2008, quando as análises realizadas no Reino Unido não foram conclusivas para incriminá-los. Os jornais que publicavam as suspeitas foram obrigados a pagar uma indenização por danos morais.

Troca no comando da investigação

Com quatro anos sem respostas sobre o paradeiro da pequena, os pais escreveram ao então primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, sobre o caso ainda estar sem uma solução. A Polícia Metropolitana britânica entram nas investigações e começam a revisar o que já havia sido colhido. Conhecida como Operação Grange, custou pelo menos 11,75 milhões de libras esterlinas, R$ 74,55 milhões em reais, até junho de 2019.

Em 2013, a Scotland Yard admitiu que haveria a possibilidade da menina ainda estar viva. Segundo a polícia, os agentes identificaram "novas linhas de investigação" e estariam iniciando a entrevista de 38 pessoas relacionadas com o caso. Ao todo, 600 pessoas já foram investigadas.

Um novo capítulo e um possível fim para a história

"Após o aniversário de dez anos (de desaparecimento), a polícia recebeu informações sobre um homem alemão conhecido por estar na Praia da Luz e nos arredores. Trabalhamos com colegas na Alemanha e em Portugal e esse homem é suspeito do desaparecimento de Madeleine", disse o inspetor-chefe Mark Cranwell em comunicado quarta-feira quando um novo suspeito foi anunciado. O homem pode ser responsável pelo rapto de Maddie.

O suspeito alemão morou na região do Algarve, em Portugal, de 1995 a 2007 e tinha uma casa na Praia da Luz, onde Madeleine desapareceu, afirmou o Ministério Público de Braunschweig. Ele já foi condenado por abuso sexual de crianças e está cumprindo sentença foi um crime "não relacionado" ao caso.

Para o Ministério Público alemão, como disse Hans Christian Wolters à CNN, tudo aponta para que menina esteja morta. O caso é tratado como assassinato no país. Se for condenado, o homem deve responder na Alemanha, como explica o porta-voz alemão, porque a tipologia do crime é também reconhecido no solo alemão.

LEIA MAIS:Polícia alemã presume que Madeleine McCann esteja morta

Mesmo assim, a polícia britânica considera o casos como desaparecimento. Em entrevista a Rádio 4 da BBC, Clarence Mitchell, que fala pela família da garota, afirmou que "a polícia britânica se esforça para dizer que não há evidências de que ela tenha sido ferida, esteja morta ou viva, de modo que eles mantenham a mente aberta".

"Este é outro capítulo importante na busca pela filha", acrescentou ele que concede entrevista no lugar dos pais. Kate e Gerry afirmam que toda atenção deve estar em encontrar Madeleine.

Foram revelados detalhes de dois carros ligados ao suspeito na época do desaparecimento e foi pedido que o público repassasse qualquer informação sobre eles. As autoridades do Reino Unido oferecem uma recompensa de £ 20.000 (R$ 126,9 mil) por informações que levem à condenação dos responsáveis.

O primeiro veículo é um VW T3 Westfalia campervan, com dois tons de cores, uma parte superior branca e a parte de baixo amarela. Tinha uma placa de registro em português, como afirmou o comunicado do Reino Unido. Segundo eles, a van esteve na posse do homem de abril de 2007 até algum tempo depois de maio de 2007, usada na Praia da Luz e nos arredores.

Já o segundo veículo é um Jaguar britânico de 1993, modelo XJR 6, com uma matrícula alemã e registrado na Alemanha. O carro esteve, possivelmente, na região entre 2006 e 2007. Um dia após o desaparecimento de Madeleine, o carro foi repassado para outra pessoa na Alemanha.

No dia do sumiço, como apontado pelos investigadores alemães, o suspeito estava na área e recebeu um telefonema, entre às 19h22min, que durou mais de uma hora. A polícia divulgou detalhes do número de telefone do suspeito e do número que ele discou, reforçando que qualquer informação sobre eles pode ser "crucial" para o inquérito.

"Essa pessoa é uma testemunha essencial e pedimos que entre em contato", disse o detetive Cranwell em comunicado transmitido via televisão. "Algumas pessoas conhecerão o homem que estamos descrevendo hoje. Você pode estar ciente de algumas das coisas que ele fez", disse.

Em 2019, a plataforma de stremming Netflix lançou a série de documentários em oito episódios sobre o caso. "The Disappearance of Madeleine McCann", O Desaparecimento de Madeleine McCan, em português entrevistou Alan Johnson, ex-secretário do Interior britânico, Brian Kennedy, o empresário britânico que apoiou financeiramente os McCann, Justine McGuiness, ex-porta-voz dos McCann,Gonçalo Amaral, ex-chefe da investigação do polícia de POrtugal e até Robert Murat, o primeiro suspeito.

Com informações da BBC e da CNN.