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Colaboradores de Guaidó renunciam após serem acusados de tentar golpe contra Maduro na Venezuela

19:29 | 11/05/2020
Carta de demissão foi aceita por Juan Guaidó, líder da oposição a Nicolás Maduro e autoproclamado presidente da Venezuela
Carta de demissão foi aceita por Juan Guaidó, líder da oposição a Nicolás Maduro e autoproclamado presidente da Venezuela (Foto: Federico Parra / AFP)

Dois colaboradores no exterior do líder opositor Juan Guaidó renunciaram a seus cargos nesta segunda-feira, 11, após serem acusados pelo governo de Nicolás Maduro de promover tentativa de "invasão" da Venezuela.

"O estrategista político Juan José Rendón e o deputado Sergio Vergara apresentaram suas respectivas cartas de demissão" ao governo interino de Guaidó, anunciou a assessoria de imprensa do dirigente.

Chefe do Parlamento, opositor, e reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por meia centena de países — mas sem conseguir tirar de Maduro o controle territorial e das Forças Armadas —, Guaidó aceitou as demissões, segundo o documento.

Rendón e Vergara apareciam como "estrategista geral" e "comissário presidencial" para o gerenciamento de crises, respectivamente, na estrutura organizacional de Guaidó.

As demissões acontecem uma semana depois que Maduro e funcionários do alto escalão anunciaram ter frustrado uma "invasão", em 3 e 4 de maio, nas localidades costeiras de Macuto e Chuao, no norte da Venezuela, pela qual responsabilizam Guaidó e seus principais aliados internacionais, Estados Unidos e Colômbia.

Na última sexta-feira, 8, a Procuradoria venezuelana anunciou uma ordem internacional de prisão contra Rendón e Vergara, que têm residência nos Estados Unidos, acusando-os de assinar, juntamente com Guaidó, um contrato com a empresa privada de segurança e defesa Silvercorp USA para realizar a incursão.

O procurador-geral, Tarek William Saab, de linha governista, pediu outra ordem de prisão internacional, contra o americano Jordan Goudreau, fundador da Silvercorp.

Rendón reconheceu, em entrevista à CNN, ter assinado um contrato com a empresa, mas afirmou que o mesmo foi "exploratório" e que não foi dada autorização para uma operação na Venezuela. Ele desvinculou Guaidó do acordo.

A "tergiversação" do documento é uma "manipulação grosseira do regime em sua tentativa de criar um épico que lhe dê um respiro", escreveu Rendón em sua carta de demissão, divulgada hoje pela assessoria de Guaidó.

O chefe parlamentar, que, a princípio, classificou o contrato de falso, denunciou na sexta-feira que o governo chavista busca "desculpas" para prendê-lo.

A "invasão" fracassada acabou em 45 detidos, entre eles os militares reformados americanos Luke Alexander Denman, 34, e Airan Berry, 41, que sofreram várias acusações, entre elas a de terrorismo.