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Há 85 anos, morria o "inimigo público nº 1" dos Estados Unidos

Em 22 de julho de 1934, morreu John Dillinger, gangster e ladrão de bancos que foi um dos bandidos mais procurados dos Estados Unidos

21:22 | 22/07/2019
Cartaz com oferta de recompensa pelo gangster
Cartaz com oferta de recompensa pelo gangster(Foto: FBI/REPRODUÇÃO)

Em 26 de julho de 1934, a redação do O POVO recebeu telegrama do Correio da Manhã, procedente de Chicago, nos Estados Unidos. A correspondência narrava em detalhes a morte de John Dillinger, que ficou conhecido como “Inimigo Público nº 1” dos Estados Unidos.

Em 22 de julho de 1934, Dillinger foi surpreendido ao sair do “Biograph Theatre” onde assistia ao filme de gangsters “Manhattan Melodrama”. O agente federal Melvin H. Purvis, do FBI, que se achava no encalço do bandido, relatou que uma mulher o mantinha informado sobre a rotina do gangster. Ela assegurou que Dillinger estaria no cinema naquele dia. Na época, a mulher não foi identificada por segurança. Tratava-se de Anna Sage, ex-prostituta romena que tinhas problemas com a Imigração. Ela ficou conhecida como “Dama de Vermelho”.

Ela foi a chave para a morte de Dillinger. Mas, antes do fim, contemos pelo início.

Origens

John Herbert Dillinger nasceu em 22 de junho de 1903, em Indianápolis. Os pais, John Wilson Dillinger e Mary Ellen “Moblie” Lancaster, eram proprietários de uma pequena mercearia. Aos três anos, o garoto perdeu a mãe. Sua irmã Audrey, de 17 anos, foi quem ajudou a criá-lo.

O pai voltou a casar quando ele tinha 9 anos. John Wilson era descrito como violento e batia constantemente no filho. Aos 16 anos, John Herbert Dillinger entrou para o crime. Tornou-se líder da conhecida gangue “The Dirty Dozen” (algo como: A dúzia suja), que furtava carvão em vagões ferroviários.

Em uma tentativa que seu filho mudasse o comportamento, Wilson vendeu a casa onde moravam e se mudaram para uma fazenda em Moorseville, Indiana. De nada adiantou, pois Dillinger continuou trabalhando como mecânico em uma oficina em Indianápolis, não atrapalhando suas noitadas regadas a bebidas, lutas e prostitutas.

Aos 20 anos, Dillinger se casou com a jovem Beryl Hovious, de 16 anos, no mesmo período que ele se alistou na Marinha, em 1923. O jovem casal passou por diversas dificuldades. A maior delas era ele se manter no emprego. A jovem não suportou e anos depois pediu o divórcio.

A prisão

Dillinger e Edgar Singleton, o seu maior incentivador para que se tornasse um gângster, assaltaram a mercearia de um senhor chamado Frank Morgan, em 6 de setembro de 1924. John agrediu Morgan e o derrubou no chão. Os dois criminosos foram presos.

Singleton foi condenado a 10 anos de prisão, porém, contratou um advogado e conseguiu a liberdade. Dillinger ficou preso até 1933. Na cadeia, conheceu assaltantes de banco profissionais, que se tornariam seus comparsas: Harry Pierpont, Van Homer Meter, Makley Charles, John Hamilton, Walter Dietrich e Clark Russel.

Ao deixar a cadeia, Dillinger se aproximou de cúmplices de Pierpont para tramar um plano para tirá-lo da prisão. Tinha intenção de ser aceito nesta gangue de elite. Em quatro meses, eles assaltaram quatro bancos, dois mercados e uma farmácia em Indiana e Ohio. O dinheiro seria usado para custear a saída de Pierpont da cadeia.

Dillinger chegou a providenciar que armas fossem infiltradas na prisão. Mas, dias antes da fuga programada, ele próprio foi preso em Ohio. Mesmo assim, o plano foi executado e Pierpont fugiu. Tratou, então, de libertar Dillinger. Na ação, o xerife Jess Sarber foi ferido e acabou morrendo.

A fama

O bando liderado por Pierpont e Dillinger passou a praticar assaltos em série durante a Grande Depressão. Os assaltos eram bem arquitetados, comparados a peças teatrais e repletos de artifícios. Em um deles, se passaram por uma equipe de filmagens e disseram que iriam realizar um filme retratando um assalto a banco.

Veja assaltos célebres realizados por Dillinger:

– Central National Bank, Indianápolis= U$ 74.000, em 23 de outubro de 1933.

– Securities National Bank, Dakota do Sul= U$ 49.000, em 6 de março de 1934.

– First National Bank, Iowa= U$ 52.000, em 13 de março de 1934.

– Comercial National Bank, Indiana= U$ 29.000, em 30 de junho de 1934.

O “Inimigo Público nº1”

A sua fama tornou cada vez mais difícil sua aparição em locais públicos. Em 1934, o FBI passou a ter Dillinger como um “Inimigo Público Nº1” e ofereceu 10 mil dólares de recompensa por ele.

O cerco se fechava e ele usava a criatividade, chegando a adotar identidade falsa, passando a se chamar Jimmy Lawrence. Chegou até mesmo a fazer uma cirurgia plástica para não ser reconhecido.

O POVO em 26 de julho de 1934
O POVO em 26 de julho de 1934 (Foto: FAC-SÍMILE)

Anna Sage e Melvin Purvis, uma emboscada para Dillinger

Em 4 de julho de 1934, Dillinger se mudou para o apartamento da ex-prostituta romena Anna Sage. Foi quando o agente federal Melvin H. Purvis se aproximou dela. Propôs que ela entregasse o gangster e teria a situação com o serviço de imigração resolvida, além de receber 10 mil dólares. Foi então que ela deu a informação sobre o cinema em que ele estaria em 22 de julho de 1934.

Com a informação, Melvin Purvis montou o cerco e tomou precauções. Chegou a alugar armas de outros estados por não confiar plenamente na polícia de Chicago.

Ao sair do cinema, Dillinger estava acompanhado de mais dois companheiros e duas mulheres. Os agentes federais se aproximaram. O gangster fez menção de puxar a arma e os policiais atiraram. O criminoso tombou mortalmente ferido. Os comparsas conseguiram fugir. Ao escaparem, deixaram dois populares feridos.

A curiosidade para ver o cadáver foi enorme. No necrotério, foi necessário colocar segurança reforçada. No local da morte, as pessoas milhavam lenços no sangue para guardar como recordação. Houve quem oferecesse muito dinheiro por peças de roupa ou outros souvenires do criminoso.

A autopsia apontou dois ferimentos no corpo, sendo um pouco abaixo do coração e outro no pescoço. Ambos sangraram abundantemente, tendo ficando o solo inteiramente banhado pelo sangue de Dillinger.

Ficou averiguado também que o bandido havia sofrido recentemente uma cirurgia plástica, para a supressão de duas cicatrizes que tinha no rosto, marcas recentes dos seus últimos encontros com a Polícia.

Uma multidão acompanhou o corpo do “Inimigo Público Nº1” até o necrotério e estima-se que 15 mil pessoas passaram por lá. O corpo foi levado de volta à sua terra natal, Mooresville, em Indiana. O reconhecimento do corpo foi feito por sua irmã Audry. O pai cuidou de preparar um funeral cristão. O sepultamento ocorreu no dia 25 de julho de 1934, no cemitério de Crown Hill, Indianápolis.

As autoridades federais, com o auxilio da polícia local, continuaram as buscas pelos comparsas de Dillinger. Além disso, supostamente já intitularam o George Nelson, conhecido como “Baby Face” (Cara de Criança), como o novo chefe do bando.

O acordo com Anna Sage não foi cumprido. Da recompensa de 10 mil dólares, ela recebeu 5 mil. Além disso, acabou deportada ao seu país de origem.

A história é retratada no filme Inimigos públicos, de 2009.

Fred Souza, do O POVO Dados, especial para O POVO