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Síndrome gripal: março e abril concentram 64% dos atendimentos pediátricos nos postos e UPAs de Fortaleza

Para especialistas, casos aumentaram além do esperado para o período do ano. Soma de fatores ambientais e comportamentais contribui para o cenário

Desde o início deste ano, 41.799 crianças e adolescentes (de zero a 17 anos incompletos) com síndrome gripal foram atendidos nos 116 postos de saúde e nas seis Unidades de Pronto Atendimento (Upas) geridas por Fortaleza. Conforme os dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), os meses de março e abril concentram 64% desses atendimentos.

Os postos, que atendem casos de baixa complexidade, somam 27.828 atendimentos desse público. Já as Upas concentram acolhimentos de saúde a partir da complexidade intermediária e atenderam 13.971 crianças e adolescentes na Capital.

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Além desses casos atendidos, entre janeiro e abril, 11.211 fortalezenses necessitaram de internação em leitos de enfermaria e 173 em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Somente no Hospital da Criança de Fortaleza (HCF), 8.594 pacientes foram acolhidos com síndrome gripal. Destes, 395 precisaram de internação em leito de enfermaria e 26 em UTI.

De acordo com a SMS, nenhum óbito em crianças por síndrome gripal foi registrado no período nas unidades citadas.

A pediatra Graciela Josue expõe que o aumento no número de crianças com síndromes respiratórias observado em abril tem se mantido neste mês. “Na minha experiência e conversando com colegas que atuam há mais tempo, esse ano realmente tem tido uma demanda muito maior que nos anos anteriores para esse mesmo período”, afirma.

Ela orienta que ao apresentar qualquer sintoma, como secreção nasal, tosse e febre, os pais e responsáveis evitem levar as crianças para escolas e outros ambientes fechados, a fim de evitar a disseminação dos vírus. “A prevenção é evitar aglomerações, evitar expor crianças doentes à presença de outras crianças. Quando não é possível evitar esses locais, o uso de máscara auxilia”, explica.

Outras recomendações da pediatra são manter uma alimentação saudável, ir às consultas pediátricas de rotina, brincar ao ar livre, colocar as vacinas em dia e lavar o nariz com soro fisiológico todo dia.

Arrefecimento da pandemia e uso de máscaras

“Durante a pandemia, com as medidas de prevenção ao coronavírus, houve uma queda importante nos casos de todos os vírus respiratórios. Os recursos que a gente utilizou para combater a Covid também frearam todas as outras doenças que se transmitem da mesma forma”, explica o infectologista Keny Colares.

“Nesses dois anos, o sistema imunológico foi menos estimulado para combater esses vírus. É possível que estejamos menos protegidos, especialmente as crianças, que são geralmente mais vulneráveis”, completa.

O menor estímulo imunológico está ligado à baixa cobertura vacinal. Durante o mês de abril, apenas 26.787 crianças com idades entre 6 meses e 5 anos foram levadas aos postos de Fortaleza para a campanha de vacinação contra a Influenza. O número equivale a 17,7% do público residente na Capital.

Já a proteção contra o coronavírus para a população de 12 a 17 anos, que teve início em outubro de 2021, tem cobertura de 89,54% para a primeira dose (D1) e 71,25% para a segunda dose (D2). O público de 5 a 11 começou a ser vacinado em janeiro deste ano e tem cobertura de 57,56% para a D1 e de 27,52% para a D2. Os dados são do Vacinômetro da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e foram atualizados em 8 de maio.

A flexibilização das medidas, especialmente a não obrigatoriedade das máscaras e a volta das atividades presenciais, completam a somatória de fatores que contribuem para o atual cenário.

Para o especialista, é pertinente discutir a recomendação do uso de máscaras em ambientes escolares pelo menos durante este primeiro semestre. “O período já é ambientalmente mais propício para a disseminação de viroses, e, diante da sobrecarga dos sistemas de atendimento pediátrico, o uso das máscaras poderia minimizar esse problema”, aponta.

O cenário nas escolas

Principal ambiente de convivência das crianças e adolescentes, as escolas não registraram um aumento dos casos de gripe. “Apesar da época chuvosa, no momento não estamos distinguindo grande aumento de casos nem redução na frequência dos alunos. A gente conversa muito com os pais e pede para não mandarem criança doente para o colégio. Em caso de sintomas, que passe sete dias em casa”, afirma Graça Bringel, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe-CE).

Ela garante que as instituições mantêm a maior preocupação com a higienização dos espaços e das mãos. Já a máscara fica a critério dos pais e responsáveis e dos alunos. “A gente recomenda, mas fica a critério da família. Quem quiser e achar que deve continuar usando, continua usando. Mas temos visto poucas crianças e adolescentes com máscara”, acrescenta Graça.

Na rede municipal as aulas ocorrem de forma presencial desde o início do ano letivo, em fevereiro. Conforme a Secretaria Municipal da Educação (SME), “as unidades de ensino continuam monitorando casos de sintomas gripais e adotando medidas sanitárias, a exemplo da ventilação dos ambientes, desinfecção de ambientes, lavagem constante das mãos, uso de álcool em gel e não compartilhamento de objetos pessoais”.

Seguindo liberação do Governo estadual, desde o dia 14 de abril está flexibilizado o uso de máscaras nas escolas. A exceção desta medida é aplicada no transporte escolar, onde os alunos devem obrigatoriamente usar o item.

Ainda conforme a pasta, estudantes e profissionais com sintomas de síndromes respiratórias ou Covid são orientados a permanecer afastados da escola e procurar um serviço de saúde para avaliação clínica e realização de testagem. “É importante destacar que as unidades escolares acompanham, diariamente, a frequência escolar de todos os alunos da rede municipal. Com isso, disponibiliza apoio aos estudantes no que diz respeito à recuperação da aprendizagem”, conclui a SME.

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